Olhando
para a história recente, nunca pensei que um jargão de filme nacional pudesse
representar tão bem o momento político que estamos vivendo no Brasil, por isso
tenho que concordar, realmente o sistema é phoda, e em uma semana pródiga de
barbarismos, ouso dizer que esse “Sistema” não é made in Tupiniquim e ultrapassa nossos limites geográficos, mas
vamos aos fatos, ou como diriam os comentaristas esportivos, à resenha da
semana.
Sexta-feira,
20 de setembro, Morro do Alemão, Rio de Janeiro. Enquanto uma família chegava à
comunidade (em uma Kombi de frete) uma ainda mal explicada abordagem policial,
a uma dupla em situação suspeita, em uma moto, termina com uma criança morta
com um tiro de fuzil – uma bala achada, não perdida, que foi de encontro, mais
uma vez, ao corpo de um inocente.
Essa,
provavelmente, teria sido mais uma ocorrência dentro da mancha criminal da
Policia do Estado do Rio de Janeiro se não fosse ele, “o Sistema”, entrar na
narrativa e transformar uma tragédia familiar, em um fato político. Veja bem,
nada justifica, nem sequer diminui o tamanho da dor que destroçou aquela
família, porém o uso político de um drama pessoal dessa maneira é algo muito
vil, e explico o porquê.
A
questão da violência na Cidade Maravilhosa já tomou contornos de guerra civil,
pois se antes era uma guerra ao tráfico, hoje a população vive no meio de um bang bang que conta com mais uma
personagem, a milícia. E essa tríade maldita Tráfico – Polícia – Milícia faz
vítimas todos os dias – caem bandidos, policiais e inocentes. E olha que o Rio
é apenas a décima terceira cidade mais violenta do país. Mais aí vem a
narrativa dele, “o Sistema”, que diz que o problema é a vítima era apenas uma
criança pobre, de comunidade – na verdade, a quinta criança (desde o início do
ano), na sequência: K.R.S., 12 anos, baleado durante operação policial no
Chapadão, na Zona Norte do Rio / K.R., 11 anos, atingido por uma bala perdida
na comunidade da Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste do Rio / K.P., 12 anos,
baleado durante confronto entre PMs e criminosos na comunidade da Chatuba, em
Mesquita, na Baixada Fluminense / J.S.G., 11 anos, baleada na porta do bar da
mãe em Triagem, na Zona Norte do Rio.
Desse
grupo, somente o caso do garoto morto no chapadão foi enviado ao Ministério
Público, até o momento. Então fica a questão a ser respondida – porque essas
outras quatro crianças pobres e de comunidade também não tiveram o mesmo
tratamento e preocupação das ONG’s, Partidos Políticos e Imprensa, que a menina
do Morro do Alemão teve? O que tornou esse caso tão mais grave, ou mais severo,
do que os outros?
Segunda-feira,
23 de setembro, sede das Nações Unidas, Nova York. Jovem ativista, sueca, de 16
anos, atrai a atenção do mundo inteiro, com seu discurso apaixonado e delirante
sobre os efeitos das mudanças climáticas no mundo. O que poderia ter sido
apenas mais uma das falas proferidas durante a Cúpula do Clima, tomou um
contorno de ato de crueldade e tirania do mundo contra Greta Thunberg, que culpou
os líderes globais por terem “roubado seus sonhos e sua infância” com “palavras
vazias” a respeito do meio ambiente. Pronto, estava criada a narrativa – uma
jovem idealista contra o Mundo. Mas quem de fato é Greta Thunberg?
Greta
é a filha mais velha, de duas, do casal Svante Thunberg (pai) e Malena Ernman
(mãe). Ele ator, e ela uma famosa cantora de ópera sueca. Tudo ia bem até o dia
em que Greta ouviu falar na escola sobre mudança climática. Isso bastou para
que o mundo de Greta, e de toda a família, mudasse radicalmente e – em prol da
humanidade – todos viraram veganos.
A
jovem institui a sexta-feira como o dia de cabular aula para protestar contra o
clima, e com essa visibilidade toda, mãe e pai largaram tudo para cuidar da
vida da filha, agora uma ativista ambiental. Nesse mesmo momento (2018), a mãe
decide escrever um livro contando a história da família, onde narra, dentre
outras coisas, que Greta sofre da Síndrome de Asperger, uma doença do Transtorno do Espectro Autista (TEA), e que
ela vai lançar (em 2019) um livro com a coletânea de seus discursos em eventos
de defesa do meio ambiente. Mas afinal, o que é a Síndrome de Asperger?
Essa
doença é um transtorno neurobiológico que afeta a forma como as pessoas
percebem o mundo e interagem com as outras. Trata-se de um tipo de autismo leve,
enquadrado no Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dentre os sintomas mais
comuns, pode-se destacar: Habilidade de memorização de detalhes dentro de um
estreito campo de interesse / Fala formal desenvolvida prematuramente, mas
mecânica e podendo parecer estranha e pedante. / Atenção acima da média para
estímulos externos e internos.
Pessoas
com Asperger vêem, ouvem e sentem o
mundo de forma diferente das outras, e a jovem sueca, em entrevista a uma
emissora de TV alemã, confirma que “Se eu não tivesse Asperger, não teria sido possível. Eu simplesmente teria vivido e
pensado, como todo mundo. Eu vejo o mundo de uma perspectiva diferente – em preto
e branco”.
Mas
afinal, o que levaria uma família a expor uma adolescente, diagnosticada
clinicamente com um quadro neurológico que exige cuidados, a situações de
estresse e uma série de outras condições proibitivas para um autista, e ainda
permitir que ela navegasse, sozinha, em um barco até os Estados Unidos? Resposta,
ele, ‘o Sistema”.
Por
trás de toda a narrativa engajada da adolescente, existe a presença de fortes grupos
econômicos, que servindo-se do discurso de proteção ao meio ambiente,
transformaram a menina em uma “galinha dos ovos de ouro”. Paralelo a isso, há
também o interesse financeiro dos pais que largaram carreiras e tudo mais, para
auferir lucro com a exposição da filha através de uma pesada estratégia de
marketing.
Lamentável
nisso tudo é ver que no Brasil ainda existem pessoas que lotaram suas redes
sociais com críticas e ofensas, descabidas e maldosas, à aparência e a fala da
menina, esquecendo-se que, nesse caso, estavam falando de uma deficiente,
portadora de uma Síndrome severa e sem cura. Pela falta de cuidado e interesse
na apuração da história, rasa e direcionada à validação de um discurso da
esquerda ambientalista, percebe-se, mais uma vez, o quanto os interesses
políticos e econômicos, aqui e fora do Brasil, concorrem para favorecer mais a
parte, do que o todo.
Terça-feira,
24 de Setembro, Sede das Nações Unidas, Nova York. Tudo pronto para o tradicional
discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU. O mundo inteiro volta os seus
olhos, com expectativa, para ouvir o que o Presidente do Brasil tem a dizer, em
especial sobre as polêmicas recentes sobre o Meio Ambiente no país. Frustração
para alguns, comemoração para outros, mas o fato é que, ao contrário de Davos,
dessa vez Jair Bolsonaro fez um discurso de Chefe de Estado, não apenas na
forma, mas principalmente no conteúdo, apresentando ao mundo qual o seu projeto
de país para o Brasil.
As
repercussões dentro e fora do Brasil foram imediatas – a extrema mídia
plantonista se deteve em cada palavra, checando dados, números e qualificando o
discurso como desastroso para o Presidente e para o país. Na própria ONU
houveram queixumes e chorumelas, tentando transformar, mais uma vez, a imagem
do Presidente em uma figura caricata a qual não se deve dar crédito. Pois bem, o
que se podia esperar de um discurso proferido por um político conservador, de
Direita, que nunca se deteve a polimentos e mis’ancenes
em sua trajetória pública?
E eis
que surge, mais uma vez, ele , “o Sistema”. Para essa parcela da mídia
brasileira que se esqueceu de que é compromisso do jornalista buscar a verdade
acima de tudo, através de uma apuração séria e justa, fica clara sua
parcialidade com um discurso da esquerda que vai, a todo o momento,
desconstruir ou destruir a fala do Governo. O que essa mídia (e o grupo ao qual
ela serve) se esquece é de que tivemos, há bem pouco tempo, dois presidentes
que também marcaram as Assembleias da ONU com seus discursos – a primeira virou
meme, pela sua dificuldade de articulação linguística – ninguém (e acho que nem
ela mesma) conseguia entender o que era dito. O outro, de boa lábia, sempre
falou aquilo que “os companheiros” queriam ouvir, em uma assimetria ideológica
entre o discurso do orador, e a retórica que atualmente é defendida na ONU.
Lembrando
que a Organização das Nações Unidas – ONU foi fundada no pós-guerra, em 1945, com
o objetivo de deter os conflitos entre os países, e para facilitar o diálogo
entre os mesmos. Esse papel conciliador, e neutro, (ideologicamente falando)
veio se perdendo com o correr dos anos, e pode-se dizer que hoje se ela defende,
dá mais espaço ao discurso da esquerda mundial, do que a outras vozes
dissonantes nesse cenário político, econômico e social globalizado.
Enquanto
isso acontecia em Nova York, no Brasil, a banda podre de Brasília, composta não
por políticos, mas sim por Idiótes
compromissados com o próprio umbigo, e com o Sistema, locupletavam-se fazendo e
acontecendo no Congresso Nacional – bem diz o dito popular “o gato sai, o rato
faz a festa” – e como existem ratos da bunda branca no Planalto Central.
Aqui
faço uma pausa para lembrar que: toda generalização é burra, por isso lembro
que existem no país políticos, de verdade, que tentam quebrar essa cadeia de
desmandos da banda podre, mas como poucos que são, ainda sem sucesso. Da mesma
forma, no meio Jurídico, que em grande parte abriga e dá salvaguarda para o
Sistema, existem paladinos da Justiça que, na contramão do corporativismo, ainda
respeitam e defendem as Leis e a Constituição da República Federativa do Brasil.
Contudo,
esses dois últimos dias da semana só serviram para provar que o Brasil precisa
mudar, não apenas no aspecto econômico e social – agendas importantes para
assegurar o crescimento e prosperidade em solo brasileiro – mas principalmente
resgatar, desde a infância, um valor que há muito tem se mostrado esquecido – a
Ética, ou moral se bem preferir. Ministro Luiz Alberto Barroso, em Sessão do
Supremo Tribunal Federal, foi muito lúcido, e feliz, ao afirmar que “Não há
como o Brasil se tornar desenvolvido com os padrões de ética pública e privada
praticados aqui”, referindo-se a tese em questão que pode anular sentenças
já transitadas e julgadas dentro da Operação Lava-Jato. Mas a quem poderia
interessar o não desenvolvimento do país, e mais, um efeito em cascata que
poderia, por força da jurisprudência, colocar nas ruas não apenas criminosos do
colarinho branco, mas de toda a espécie e delito?
A ele, personagem da semana (que pode até pedir música no Fantástico) “o Sistema”. Mas quem, afinal de contas, é esse ser dotado de tanto poder? Enquanto produto social não possui uma cara, ou mesmo um nome próprio, mas muitos braços e muitas pernas que o permitem atuar em várias frentes, sempre com o mesmo fim, a manutenção do status quo, do establishment, das regalias e mordomias, da corrupção e do desvio de dinheiro, marcas do que há de pior na politicagem brasileira.
E para chegar ao seu objetivo não mede esforços (nem tampouco recursos financeiros) desde que, ao final, “o grupo” tenha seus interesses preservados. Basta olhar as ações contra a Operação Lava-Jato, que sob o pretexto de “defender” o Lularápio, o presidiário de São Bernardo, engendra todo tipo de artifício e subterfúgio, para reforçar a tese da perseguição ideológica, de que o dito é um preso político e que, colocá-lo em liberdade, é a única forma de restaurar os princípios constitucionais e democráticos brasileiros, mesmo que a consequência imediata de sua soltura seja, também, a de estupradores, homicidas e criminosos da pior espécie, na rabeira desse cometa chamado Sistema Processual Brasileiro. É Capitão Nascimento, o senhor realmente tinha razão, o sistema é phoda!
Professor Sérgio Soares