Os mistérios da Família Lopez

João Lucas Laurindo

Em uma cidade chamada Grendene vivia uma família chamada Lopez, composta pelos 3 irmãos Peter, Jane, Henry e os pais Nina e Tyler. Um certo dia, Tyler Lopez morreu misteriosamente, e a família decidiu se mudar para a casa antiga da família, que se localizava em Reverdes, cidade distante há 4 horas de Grendene.

Chegando à nova cidade, os irmãos ouviram rumores de histórias assustadoras sobre a casa, e sobre vários mistérios que haviam nela. Após escutarem tudo não deram ideia para as lendas urbanas, e por conta dos olhares de pena que recaíam sobre eles, se estressaram e foram logo conhecer a nova morada.

Com um misto de empolgação e medo da nova etapa da vida, além de saudades do pai, entraram no novo lar e ficaram espantados com o tamanho e o luxo do lugar. Era uma mansão de 2 andares com 3 salas enormes, 1 cozinha, 6 quartos, 5 banheiros e uma linda biblioteca cheia de livros. Um imenso paraíso.

Cada um rapidamente correu para escolher seu quarto – Peter, como o mais novo e curioso, correu logo para a biblioteca e pegou vários livros. Vasculhando o lugar encontrou um sobre sua família, um livro desconhecido sobre o qual ele nunca tinha visto falar. Com curiosidade, pegou para ler.

Já anoitecendo, todos foram dormir, mas sem sono, Peter pegou o livro que falava sobre sua família e foi ler. Nele falava sobre vários mistérios sobre a infância de seu pai, e a parte mais interessante sobre as dez misteriosas Chaves Mágicas, que estavam escondidas dentro da propriedade, e que na hora certa iriam ser encontradas. Em outra parte do livro falava sobre criaturas sobrenaturais, como se fossem demônios. Após tanta agitação, Peter acabou caindo no sono mesmo com toda empolgação, e curiosidade sobre as Chaves. 

Logo pela manhã, ele acordou animado e chamou os irmãos, mostrando o livro todo empolgado. Jane e Henry, super estressados por terem que acordar cedo no primeiro dia de aula, nem deram importância para o que Peter estava falando. Seus irmãos o mandaram parar de bobagem, e muito triste e no tédio Peter saiu e foi terminar de ler o seu livro que contava tudo sobre as Chaves: de onde vieram, onde foram feitas e muito mais.

No livro diziam que elas eram feitas de um material chamado “ferro sussurrante”, que só era encontrado no inferno. Dizia também que elas foram forjadas por demônios, e criadas para acabar com o ser humano. Mas logo após elas serem criadas, um ser híbrido – metade humano e metade demônio – chamado Jake, traiu seus irmãos e abriu um portal para o nosso mundo, que demônios não poderiam atravessar. Assim ele pegou as chaves e foi para o mundo dos homens, escondê-las em lugares seguros, onde ninguém poderia encontrá-las, a não ser os descendentes de sua família humana, que seriam os Lopez.

Ao entrar no mundo humano a primeira casa que ele, avistou por coincidência, foi uma antiga casa, que atualmente é a da família. Ao avistá-la, com muita pressa para não repararem sua saída do inferno, Jake encantou as Chaves para cada uma encontrar seu esconderijo misterioso, e ninguém mais achá-las a não ser os Lopez, sem que até ele mesmo não soubesse aonde estariam.

Outro encantamento nas Chaves, por segurança, foi para que ninguém – além dos Lopez – se lembrasse do poder delas após virem alguém as usando. A não ser que usassem uma especifica na pessoa para lembrarem, a Chave da Memória. Após citarem a primeira, fizeram uma lista com as outras nove chaves, seus nomes e o que elas poderiam fazer:

Chave da Cabeça: era criada para entrar na cabeça das pessoas. Assim que ficasse perto da nuca de alguém, lá mesmo apareceria a abertura para a Chave. E assim que inserida, se abria na cabeça uma porta para as memórias – tudo que um dia já foi visto pelas pessoas, ela poderia tirar e até inserir outras.

Chave da invisibilidade: como já diz o nome, poderia deixar qualquer ser ou objeto invisível por um certo tempo.

Chave do Tempo: ela poderia fazer você ir para o passado ou futuro. Para usa-la é necessário um relógio especial, que estaria em algum lugar da casa, escondido junto com a Chave.

Chave do Espelho: com ela era possível entrar em um universo espelhado e paralelo, que se a pessoa não soubesse controlar ficava maluco. Para ser usada era necessário algum dos espelhos da casa.

Chave de Qualquer-lugar: nome menos criativo de todos né, mas vamos ser sinceros, é a mais importante e útil de todas, pois te possibilitava ir para qualquer lugar que você quisesse, em segundos. Só precisava ter uma porta por perto, colocá-la na fechadura e pensar no local desejado. Assim você estaria no local num passe de mágica.

Chave Ômega: permite abrir o portal para o inferno, única maneira possível de ser aberto.

Chave do Anjo: faz aparecer asas brancas e gigantes, que te fazem voar e carregar uma quantidade considerável de peso.

Chave Animal: permite que você se transforme em qualquer animal que deseje.

Chave das Plantas: permite controlar todos os tipos de plantas existentes.

Chave da Cura: curar qualquer ser vivo, machucado ou com alguma doença, quando inserida no meio do peito.

Sem pistas para encontrar as chaves, Peter largou de mão e achou que tudo não passava de uma história boba de ficção. Então foi para a escola com aquilo na cabeça, e ao voltar se deitou para ver um filme. De repente, do nada ele começou a ouvir sussurros. Levantando rapidamente, saiu correndo em direção a voz, cada vez mais próxima do porão.

Ao chegar lá, viu um piso falso no chão, então se abaixou e puxou o piso, e lá estava o começo de uma grande aventura, a primeira Chave – a Chave da Cabeça. Com medo de usá-la sozinho, Peter chamou Jane e Henry para ajudá-lo e, ao enfiar a Chave apareceu uma misteriosa porta possibilitando a entrada na cabeça de Peter. Os três irmãos ficaram chocados com o poder daquela chave, e assim cada um usou uma vez, para entrar na própria cabeça. Depois disso, com medo de alguém encontrá-la, eles a esconderam.

Cada um seguiu sua rotina sem voltar a pensar na Chave, até que dois dias após encontrarem a primeira, Jane estava estudando quando do nada começou a ouvir sussurros leves que vinham da cozinha. Ao se aproximar eles começaram a ficar insuportáveis e enlouquecedores. Quando chegou perto do forno, viram duas coisas brilhando lá dentro, lá estavam as Chave da Invisibilidade, e a do Tempo.

Como dizia no livro, para usar a Chave do Tempo era preciso um relógio antigo, e encantado, que se encontrava dentro da casa, em um local que seria revelado ao encontrá-la. Assim, após encontrarem as duas Chaves, a do Tempo começou a flutuar rapidamente e lá foi Jane correndo atrás dela. Ao entrar no porão, lá estava o lindo e antigo relógio. Curiosa ela colocou a Chave e escolheu para que lugar no tempo gostaria de ir. Seguiu então para o passado, onde pode rever o pai que tinha morrido e, com muita saudade, ela o abraçou e chorou.

Ao ver seu “Eu” do passado, ela saiu correndo, mas não tinha aonde se esconder. Por sorte, lembrou da Chave da Invisibilidade e a usou, enfiando-a em seu pulso. Assim ela saiu correndo até o porão, para retornar à “sua casa” no tempo certo. Ao chegar se sentou aliviada. Respirando bem fundo chamou seus irmãos e contou a eles tudo que tinha acontecido. Novamente esconderam as duas chaves, ficando cada uma sobre a responsabilidade de um deles.

Seguindo a vida normal, os três irmãos foram conhecer a propriedade, e ao saírem viram uma gruta escura. Com muita curiosidade e medo entraram, e ao caminharem por uns 10 minutos, viram uma porta enorme e antiga, que tinha o mesmo símbolo da foto da chave mais poderosa de todas, a Chave Ômega. Dela saia um calor imenso, gritos atordoantes e assim que ouviram alguém chamando os nomes deles, saíram correndo e assustados. Depois disso decidiram esquecer aquilo, até a Chave Ômega ser encontrada.

Dois dias após o ocorrido, eles levantaram felizes, tomaram café e seguiram cada um para sua escola, estudaram bastante e após um longo dia todos voltaram cansados. Estavam estressados, então chegaram, tomaram banho e foram dormir. Durante a madrugada, Henry acorda ouvindo sussurros (novamente cá estão os sussurros), levantou de sua cama e saiu à procura dos ruídos, quanto mais perto da cozinha chegava, mais o barulho aumentava, eram sussurros enlouquecedores, deixando sua cabeça com uma dor insuportável. Ao abrir o freezer cheio de gelo, lá no fundo estavam duas coisas brilhantes, duas chaves juntas de novo, a Chave do Espelho e a de Qualquer-Lugar, justamente as que eles estavam mais ansiosos para encontrar, claro que por pura diversão né.

Então saiu correndo para o seu quarto para usá-las, antes de contar para seus irmãos. Chegando lá, colocou a chave em seu espelho, e então seu reflexo começou a se mexer, chamando para ele para entrar. Hipnotizado, lá foi ele entrar, e eram vários espelhos com seu reflexo e muito eco. Sem saber aonde era saída, Henry começou a gritar, sua cabeça rodava e ouvia um zumbido muito forte. Gritou pedindo socorro, quando do nada viu uma mão te puxando, por sorte eram seus irmãos que ouviram seus gritos. Ao puxá-lo, Peter tira a chave correndo. Depois de brigarem muito com Henry por sua imprudência, eles se sentaram e fizeram as pazes, decidindo que Jane, ficaria com essa Chave.Com muita curiosidade decidiram testar a Chave de Qualquer-Lugar, então a colocaram na porta do quarto e pensaram em ir para a sorveteria da cidade. Quando abriram a porta lá estava a sorveteria, e os três muito empolgados, passaram o dia por lá.

Após aproveitarem bastante a Chave de Qualquer-Lugar, decidiram então que ela ficaria com Henry, que a escondeu. Três meses depois, tudo estava tranquilo e sem nada de esquisito acontecendo, então os irmãos ficaram em dúvida, será que não iriam encontrar mais nenhuma Chave? Chegando a noite, todos foram dormir e, de repente, os três irmãos começam a ter sonhos compartilhados, chegando até a poderem conversar entre si por lá.

Acordaram assustados, ouvindo sussurros, após essa noite cansativa. Desceram correndo as escadas, e o sussurro vinha lá de fora, de dentro da casinha do seu cachorro Bob. Quando chegaram começaram a procurar desesperadamente, pois a curiosidade era para saber qual chave seria agora.

Depois de procurar bastante, encontraram a Chave Animal e a Chave da Cura. Como crianças que eram, todos ficaram animados para usar e assim decidiram testar primeiro a chave dos animais – o efeito da transformação por ela causado, passava depois de um certo tempo, por isso cada um escolheu uma espécie, e saíram para brincar.

Henry acabou se machucando feio e voltou ao normal gritando de dor. Aproveitando a oportunidade, os irmãos usaram a Chave da Cura e, milagrosamente, ele melhorou, e eles ficaram perplexos. 

Depois de um dia cansativo, e bem divertido, eles foram dormir e, novamente, começaram a ouvir sussurros de madrugada. Eles já estavam de saco cheio disso, então os três irmãos se encontraram do lado de fora da casa, e os sussurros vinham da árvore mais alta e florida do jardim. Chegando perto ela começou a mexer insanamente suas folhas, e dela via um brilho intenso, quando do nada abriu-se um buraco dentro de seu tronco, e lá apareceu uma chave – a Chave das Plantas – ela controlava todas as espécies de plantas. Como estavam com sono, mas curiosos para usá-la, eles ordenaram aos galhos da árvore que levasse para seus quartos e assim aconteceu. Então essas três últimas chaves encontradas ficariam com Jane e Peter.

Pela manhã, eles levantaram, e viram que faltavam apenas 2 chaves para serem encontradas, mas tudo estava estranho, principalmente o dia. Eles estavam com uma sensação horrível, então decidiram ir até gruta para verificar o que estava acontecendo. Quando chegaram lá, a porta estava com uma rachadura, então ficaram preocupados, e com medo do que poderia por detrás daquela pavorosa porta.

Dia após dia, eles começaram a ver vultos dentro de casa, gemidos estranhos, e com medo foram ler o tal livro da família, para tentar entender o que estava se passando. Lá descobriram que aqueles vultos e sons macabros, eram os demônios procurando as chaves para, enfim, abrirem o portal do inferno e tomarem posse de Grendene e todos os seus habitantes.

Então saíram em disparada, em uma missão de salvação da humanidade, para encontrar as chaves, principalmente a Ômega, pois pelo que dizia no livro se juntassem os dons de todas as outras chaves, conseguiriam encontrar a chave do portal.

Sentaram-se no salão, juntaram as chaves e se concentraram. Os sussurros recomeçam novamente, e assim encontraram a chave Ômega. Mas, por algum motivo que eles desconheciam, os demônios conseguiram romper a pavorosa porta, e assim milhares deles foram soltos. A casa estava cercada por essas criaturas, que queriam a todo custo a Chave.

É quando a porta da casa se rompe, e os seres do inferno começam a invadir. Os irmãos fugiram correndo para o andar de cima, levando com ele as chaves. Entraram no quarto e ficaram encurralados, com os demônios batendo na porta, mas como num passe de mágica, apareceu algo reluzente na janela, era a Chave do Anjo – e Jane a usou e carregou os irmãos, e sua mãe, no colo até a gruta. O lugar estava infestado de bichos pavorosos, mas portando cada um deles uma chave, lutaram e mataram todos os bichos conseguindo, assim, entrar na gruta.

O portal do inferno estava aberto, e dele saía um calor insuportável. Sem saber como fechar a passagem, com muita tristeza começaram a jogar chave por chave lá dentro, e assim a porta foi se fechando. Mas quando jogaram a última, algo deu errado, pois ele continuava aberto. Então Peter lembrou que ele havia escondido a última chave misteriosa, a Chave Ômega – a chave do inferno. Ela tinha o poder de fechar o portal para sempre, mas para que isso acontecesse, teria que ser usada pelo lado de dentro. Quem a usasse teria que se sacrificar, e assim Peter despediu-se de sua família e entrou fechando a passagem para sempre, fazendo tudo voltar ao normal.

Apesar de toda dor, a família tentou seguir em frente com a vida. Passados três meses daquele episódio trágico, a família ainda de luto sentia a falta de Peter, foi quando, do nada o céu começou a ficar vermelho, e se abriu como se fosse o olho de um furacão gigante, e de dentro dele eis que surge de volta Peter.

A felicidade tomou conta de todos, que chorando e sem entender o que estava acontecendo abraçavam Peter, que estava mudado – havia crescido pois no inferno o tempo passa diferente. Ainda espantados, todos estavam curiosos para ouvir o que Peter tinha a dizer. Então ele explicou que, devido à sua atitude nobre, ao sacrificar-se para salvar sua família e todo o mundo da ameaça nefasta, os ancestrais da Família Lopez salvaram ele do inferno, trancando aquela passagem para que nunca mais fosse aberta de novo, e o mandaram de volta para casa.

Depois daquela aventura épica, a puderam voltar a levar uma vida “quase” comum, como qualquer outra família. Mais bem lá no fundo sentiam falta dos sussurros e das chaves mágicas, e como ser normal não era uma característica daqueles irmãos, descobriram que a magia dos Lopez nunca se acaba, bastava apenas saber usá-la com sabedoria, e cuidado.

*Flashback Ana*

Gabrielle da Silva Thomaz de Souza

“Senti meu corpo gelar, e minha garganta fechar enquanto os ventos sopravam meus cabelos, e as lágrimas escorriam de meus olhos. Já era, não tinha mais volta. A sensação era boa, eu finalmente me veria fora deste inferno, mas ao mesmo tempo eu tinha medo… estou me matando, e é assustador”.

Quando pequena eu tinha uma amiga chamada Ana. Eu e Ana crescemos juntas, éramos inseparáveis como irmãs gêmeas, ela era tudo de mais precioso que eu tinha. Nós brincávamos todos os dias, de manhã bem cedo até de noite…éramos uma dupla imbatível…

Contudo, Ana já não era muito querida antes mesmo de nascer. Sua mãe quis abortá-la, mas seu pai não deixou. Quando nasceu era muito gordinha, seu pai não conseguia nem encara-la por que a achava “feia”, porém o resto do mundo sempre se encantou com Ana.

Seus pais sempre brigaram muito, mas quando ela tinha seis anos, e seu irmão mais velho foi embora de casa, as brigas começaram a ficar mais violentas. Ainda tão pequena, não sabia o que fazer quando via seus pais brigarem. Eles a obrigavam a assistir os atos de agressão, pois caso desse algum “BO”, serviria de testemunha.

Ela não falava muito sobre isso, mas anos depois me disse que a fizeram prometer que não contaria nada a ninguém – “o que acontece dentro de casa, fica dentro de casa” – é o que eles diziam. Eu também era uma criança nessa época, e não entendia o quanto aquilo podia doer, até porque era filha única, e por isso sempre fui a “filhinha do papai e da mamãe”. Mas não pude deixar de perceber que ela ficava mais quieta a cada dia, e quando eu perguntava dizia que estava com sono…era mentira, eu sabia porque conseguia ver as marcas em seu pulso

Alguns anos se passaram, Ana não mudou muito nem o relacionamento de seus pais. Desde pequena eles sempre iam e voltavam, mas uma certa vez, quando ela tinha 12 anos, seu pai saiu de casa por três meses – ele havia descoberto uma traição, e por isso também traiu a esposa. Mesmo tão nova teve que cuidar sozinha de sua mãe com depressão, eu estava na casa dela na madrugada em que tudo aconteceu.

Acordei com a gritaria, mas ela dormia como um anjo – talvez porque ‘já estivesse acostumada. Depois de alguns minutos seu pai a sacode dizendo que sua mãe queria se matar, e ela precisava fazer algo por que ele não estava nem aí. A mãe dela saiu procurando uma corda pelo quintal e Ana, ainda meio sonolenta, sem entender nada, saiu correndo atrás dela.

Seu pai disse que eu devia ir pra casa, já que nós éramos vizinhas, mas ela me disse que, pela primeira vez, sentiu medo do seu pai, porque ele estava irreconhecível, parecia um mostro; então ela agachou no canto da cozinha com as mãos nos ouvidos implorando a Deus que aquilo tudo acabasse. Depois disso, seu pai foi embora.

Aquela menina, ainda quase uma criança, cozinhava, limpava e ainda tinha que dar conta dos estudos e cuidar da mãe, totalmente sozinha. Ela dizia que havia perdido várias noites de sono, com medo de acordar de manhã e encontrar sua mãe morta.

Três messes se passaram, e a mãe de Ana já tinha superado aquela crise, estava melhor e muito grata à filha por ter sido a única pessoa que havia se importado com ela. Depois de um ou dois meses seu pais voltaram, ela queria explodir de tanta raiva, mas sua mãe estava feliz…. O ruim é que quando seu pai voltava pra casa, eles faziam “coisas” e ela tinha que ouvir tudo… Não suportava aquilo, mas fazia tudo pela sua “mamãe.”

Depois de um tempo, sua mãe começou a ficar fria com ela, a tratava mal, xingava de nomes pesados por motivos idiotas. Chegou até mesmo a dizer que Ana era um problema na vida dela, uma decepção… Porque ela gostava de meninas, e quando sua mãe descobriu disse coisas horríveis como ” tenho nojo de você!” ou “tenho vergonha de ter você como filha   “.

Muito triste, ela nunca mais tocou no assunto, mas chorava sempre que lembrava. Seus pais fizeram voto de silêncio com ela por meses, a ignorando por isso nunca mais tocou no assunto. Ana implorava a Deus que tirasse isso dela, ela fazia jejum e até entrou pra Igreja.

E foi lá que ela conheceu uma menina linda. Elas começaram a se gostar, era lindo, sempre me falava dela com os olhos brilhando. Mas um dia chegou chorando muito, disse que a menina não sentia o mesmo, e que ela tinha outra, ou algo assim.

Acho que esqueci de mencionar, mas ela passou por vários relacionamentos desde nova – era sempre trocada, sexualizada, traída…(ela tinha trauma de abandono…). Mas nunca desistiu de buscar um “amor verdadeiro “.

Na escola, não estava indo bem. Passou por coisas demais pra conseguir se concentrar. Ela não podia repetir, senão sua mãe a mataria. Eu sempre tentava ajudar, mas eu não sou tão poderosa assim.

Ana parecia melhor, apesar de tudo, mas era tudo enganação. Uma vez ela me pediu um vestido emprestado, para ir a um encontro. Eu toda empolgada entrei no quarto, de surpresa, pra ver como tinha ficado e vi seu corpo…estava cheio de arranhões, hematomas e cicatrizes. Eu sabia que ela estava mal, mas não imaginava que pudesse chegar ao ponto de recorrer a automutilação.

Eu perguntei o porquê dela estar fazendo aquilo com o próprio corpo, e ela me disse que amenizava a dor que sentia. Pedi então pra que não fizesse mais esse tipo de coisa, ou eu ficaria muito triste (acho que fui meio egoísta nessa hora) e ela prometeu que não mais o faria. A abracei e choramos juntas por uns 30 minutos

– Eu te amo, ela disse.

– Eu também, respondi. 

Foi então que a diagnosticaram com crise de Ansiedade, e Transtorno de Borderline. Ana tinha uma irmãzinha de 4 anos, que era tudo o que ela mais amava mas, por conta da doença, às vezes se tornava grossa com a pequena, gritava e praticamente a tratava como um adulto. Mas não fazia por querer, e logo se arrependia pedindo desculpas. E quando sua irmã chorava, ou dizia coisas como “não fala assim comigo, Aninha”, era como se rasgassem seu coração, em cortes fundos, com uma faca. Sabia que não poderia proteger sua irmã de si mesma, e não queria que ela tivesse o mesmo destino – ser criada por pessoas descontroladas emocionalmente!

Apesar de tudo isso, quando não estava em crise, nunca deixou de ser doce, gentil e educada. Ela gostava do verão e de girassóis, e dizia que a lua era fria por isso gostava mais do sol. Ela gostava de arte, qualquer tipo de arte, enxergava beleza em tudo, seu sorriso brilhava e se eu pudesse defini-la em uma palavra seria inocência.

Ainda que quando mais precisou, Deus não tenha estado ao seu lado pra ajudá-la, nunca duvidou uma só vez se quer que ele existisse, ela o amava e o admirava pois era seu amor maior e melhor amigo, por isso queria se juntar a ele.

Tinha um velho lá na rua que já havia assediado, molestado e perseguido Ana, mas ela não denunciou porque não queria “dar mais problemas ao papai e à mamãe”. Algo me diz que dessa vez foi pior, que ele realmente cometeu o abuso e isso pode ter sido a gota d’água.

No dia 01 de dezembro de 2017, data que nunca vou esquecer, cheguei em casa depois da escola e percebi que tinha ambulância e viatura de polícia na porta da casa de Ana. Ainda que não quisesse acreditar, já sabia o que tinha acontecido. – Porra Ana, depois de tantas tentativas, então finalmente você conseguiu?

Corri para a sua casa, mas um policial não me deixou entrar, o que não me impediu de ver os cachos dela, ensanguentados em cima da maca. 

– Não, não! Fica comigo Ana! Eu não posso viver sem você, você é a minha irmãzinha. Você não pode ir, você nem se despediu! O que vai ser da caçula?

– Você ia ser médica, lembra? Ia ter dois filhos, ia se casar. Porra, por favor Ana! Gritei em meio ao choro, mas nada a traria de volta. 

Seu velório foi no dia seguinte. Chovia muito. A menina bonita da Igreja estava lá, ela chorava tanto (parece que a gente realmente só dá valor quando perde né). E eu estava acabada, com o rosto inchado e descabelada. No final do enterro me entregaram uma carta, era de Ana, e nela dizia:

– “Oi meu solzinho, imagino que nessa altura do campeonato você já saiba o que aconteceu. Olha, não fica com raiva de mim. Todos estão melhores agora. Também não fique com raiva de Deus, ele é tão bom quanto eu. Você é uma pessoa incrível, consegue sem mim. Por favor, cuide da caçula, console o tio e a tia. Eu sempre estarei com você, de alguma forma, em um girassol, ao pôr do sol, ou em um sorriso…Eu te amo, mas já não aguento mais,
então por favor seja forte, e viva.”

Nota do autor: eu só quero que saiba que se estiver passando por algo assim, você não está sozinho. Procure ajuda. Conversar ajuda muito, mais do que se machucar; a vida ainda vai ser muito boa, mas você não pode desistir. Por favor, se você estiver sendo como a Ana, me deixe ser sua.

Escolha e consequência

Samuel dos Santos Geremias

Era tardezinha, e o sol já se encaminhava para o poente, misterioso e triste como as saudades de uma mulher que se amava em segredo. Aos olhos de Pedro João uma tarde dessas é que convida o homem a descansar, e a meditar.

Após o sol se pôr e o homem acabar de meditar, ele vai em busca de um descanso. Porque trabalhar cortando cana não é fácil. Mas já sabendo que amanhã vai ter a mesma rotina, o homem nem reclama porque já está acostumado, o que não impede que ele grite de dor nas costas – consequência de quem fica muito tempo inclinado. Mas apesar de tanta dor, o homem não pode largar o seu pão de cada dia.

No correr da labuta o homem não aguenta de dor, e resolve tomar uns remédios sem receita médica, por conta própria. Mas todos sabem que se tomar medicamentos sem receita médica, pode ter uma consequência.

Ao longo dos meses ele foi sentindo a dor que já era forte, piorar até que não aguentando mais resolve procurar um hospital, que ficava bem longe do interior onde ele morava. Como não tinha carro nem moto, seu patrão resolve levá-lo ao médico.

Chegando lá, explica ao Doutor o que ele estava sentindo, e é logo levado para fazer uns exames. Assim que eles ficam prontos, o médico olha e não acha nada de errado que explique aquelas dores. Então ele pede uma ressonância magnética para ver o que tinha de errado com aquele homem.

Após sair o resultado, a surpresa – o pobre homem estava com intoxicação no fígado e pedra nos rins. Imediatamente começou o tratamento, e viu a sua saúde melhorar pouco a pouco. Daí em diante decidiu que iria se cuidar mais.

Depois de alguns meses, já sem as dores nos rins e se sentindo melhor, retornou ao Hospital para refazer os exames. Chegando lá recebeu uma ótima notícia – seus problemas de saúde tinham acabado. E assim ele pode voltar com sua rotina e seus trabalhos, tomando muito cuidando com a sua saúde dali pra frente.

Copa do Mundo de 2022

Mário Henrique Brandão

Senhoras e senhores, adultos e crianças – chegou o ano da Copa do Mundo, e a criancinha pode se perguntar: o que é essa Copa do Mundo? E então o adulto lhe responde – é a competição de seleções de futebol mais importante do mundo. E assim ela pega sua camisa, e vai torcer pelo seu país.

Na Copa não ganha o país mais limpo, ou com a melhor economia, nem o mais pobre ou o mais rico – ganha aquele que tiver o melhor time dentro de campo, ganha quem faz mais gols, e no ano de 2022 a vigésima primeira edição da Copa está acontecendo no Catar, um país muito rico, onde chegaram até a fazer uma nova cidade para sediar a competição, devido à sua extrema importância.

O Torneio conta com 32 seleções – umas melhores, outras piores – mais tudo pode acontecer no Futebol, e até mesmo a seleção menos favorita pode levar o título. É a famosa zebra – quando uma seleção considerada coadjuvante derrota uma grande equipe.

Mas como em toda competição sempre há favoritismo os times da Inglaterra, do Brasil e da França são os mais cotados a levar a taça. Por isso que essa seja uma bela Copa para todas as seleções, com 20 dias de muito futebol-arte, para que tudo dê certo, e ao final vença o melhor time.

A vingança

Thaynara Costa Octaviano Correa

Parece que vai chover! Ouvi no jornal que iria cair uma tempestade essa noite. Vou colocar mais cobertores para dormir sossegada.

No meio da noite acordo com meu cão fazendo barulhos na porta do meu quarto. Parece que ele quer sair, então me levanto para levá-lo para fora de casa. Os seus olhos estão arregalados e ele está estranho, seu corpo está tremendo. Está muito assustado. Fico preocupada, mas quero acreditar que seja apenas vontade de ir no quintal.

Quando abro a porta, ele late e sai correndo, desaparecendo em meio à escuridão. A chuva está fraca; talvez continue assim até o amanhecer. Vou à cozinha e preparo um café. Estou bebendo aquele líquido quente e delicioso, enquanto caminho de volta para o meu quarto. Ao passar perto da escada do porão, vejo que há uma luz acesa. Fico curiosa, me aproximo e vejo que a porta estava aberta. Mas não costumo deixá-la destrancada.

Quando chego perto, vejo pegadas de barro – essas pegadas estavam indo para dentro da minha casa. Fico assustada, mas ignoro. Fecho a porta e vou para o meu quarto.

Quando estou subindo as escadas, sinto um calafrio. A temperatura havia caído rapidamente. Por conta disso, largo a xícara com o café que cai derramada na escada. Vou buscar um pano na cozinha para limpar a bagunça. Chego na escada, e me abaixo para limpar o chão. Neste momento, noto que não estou sozinha em casa, havia uma sombra que me observava, escondida no fim do corredor.

Estava escuro, e eu não tinha coragem de acender a luz para ver quem era. Logo depois, veio um relâmpago que iluminou todo o corredor, e vi que se tratava de meu irmão. Fico assustada. Era impossível, não tinha como ser ele! O seu comportamento estava diferente. Antes mesmo de eu pensar, ele corre em minha direção.

Para me defender, subo as escadas rapidamente, mas ele agarra meu pé e eu caio no chão. Ele estava em cima de mim, tentando me enforcar, e seus olhos estavam diferentes. Não era o meu irmão, mas algo igual a ele!

Chuto e ele cai, assim consigo correr para a cozinha. Pego uma faca, e ele vem rapidamente em minha direção e eu o acerto no estômago. Aquela coisa olha para a faca em sua barriga, enquanto caía sangue, e calmamente a puxa de seu estômago, jogando para longe como se nada tivesse acontecido.

Ele agarra meu pescoço, me deixando sem ar e sem forças. Pego um garfo que estava perto de mim, e enfio em seu olho. Só assim aquilo me larga, então corro para o banheiro e tranco a porta.

Está escuro, e não tenho para onde ir. Estou preocupada e morrendo de medo. Aquilo que está dentro do corpo do meu irmão, quer me matar por algum motivo!

Então ele começa a bater na porta, usando seu próprio corpo. Fica fazendo isso várias vezes, até que para. Olho pela fresta e vejo que está lá parado. Ele sai, demora alguns segundos e volta novamente.

Eu estava encostada na porta, para que ela aguentasse as pancadas. Então, ele estoura a porta com um machado, fazendo um buraco por onde enfia sua cabeça. Ele me encara com um olhar de ódio, e acaba de quebrar o resto da porta – ele vai me matar! Aquilo não era o meu irmão, não podia ser.

Faziam apenas seis dias que eu mesma o havia matado, e enterrado seu corpo no quintal!

A Quarta Guerra

João Lucas Rodrigues

Há alguns meses atrás estávamos em guerra, com as forças do inimigo oprimindo nossos soldados. Enquanto éramos atacados, colocaram uma bomba na nossa base. Eu rapidamente entendi o que estava acontecendo.

Eu era um desses soldados, e também especialista em bombas, mas como todo ser humano eu erro, e errei feio dessa vez. Então tudo escureceu e eu não sentia mais nada, minha vida toda estava passando diante dos meus olhos. Vi minha família, minha esposa e meus filhos, e uma pessoa no meu lugar como pai.

Entendi que eu tinha realmente morrido, caído numa escuridão profunda, e depois de ver minha vida passar diante de meus olhos, vi uma luz e fui até ela desesperado. Era o campo de batalha onde todos estavam mortos, e no lugar onde a bomba foi colocada, meu corpo todo despedaçado. Mas não me sacrifiquei à toa, pois foi no dia em que minha morte chegou, que veio junto a vitória da Rússia na quarta Guerra Mundial.

Anos se passaram e minha memória, meu sacrifício, caiu no esquecimento. Meus filhos cresceram sem saber da minha existência, todos se esqueceram de mim. Ninguém mais se lembrava daquele dia da Vitória – o dia em que eu tentei salvar a todos – eu tentei!

A história de João

Kauã Wallyson de Paula Rodrigues

Era uma vez um menino chamado João, que gostava muito de onde morava. Nasceu e foi criado em uma Fazenda, que tinha muitos animais, mas o que ele gostava mesmo de fazer era de andar a cavalo. Fazia isso o dia todo pra lá, e  pra cá.

Certo dia, como estava chovendo muito, ficou em casa assistindo tevê, e nela estava passando um programa sobre Rodeios. Ele gostou tanto de ver os peões montando nos touros, que veio na mente dele que queria também ser um. Logo que o dia amanheceu ele acordou, tomou seu café e foi para o curral prender os bezerros. Laçou um deles, amarrou na pilastra, pegou outra corda menor, passou na barriga e no lombo do bicho e amarrou.

Montou no bezerro, tirou o laçou do seu pescoço, e o bicho saiu pulando de um lado para o outro, até que num pinote ele derrubou João no chão, que bateu a cabeça, e machucou a testa. Ainda com dores, guardou as cordas e correu para casa chorando.

Chegando lá sua mãe perguntou o que tinha acontecido, e ele mentiu dizendo que tinha caído do cavalo, fazendo sua mãe acreditar. Ela passou uma pomada, e ele sentou no sofá chorando, e com a cabeça doendo. Assistindo a tevê, de repente ele parou de chorar, e sua mãe ficou meio desconfiada. Foi pé por pé até a sala, olhou a tevê e viu que estava passando um Rodeio. Ela ficou quieta, e voltou para a cozinha.

Passaram as horas e ele foi dormir. Já no outro dia, acordou, tomou café e saiu. Sua mãe esperou um tempo, e foi atrás dele pra ver o que estava aprontando. Ele chegou no curral e fez a mesma coisa – prendeu os bezerros, laçou um deles e amarrou na pilastra. Montou o bicho que saiu pulando. Sua mãe chegou e viu ele em cima do bezerro e gritou:

– João, desce de cima desse bezerro já!

Assustado com o grito da mãe, ele pulou do bezerro, acabou se desequilibrando e quebrou o braço. Ele chorando de dor, e sua mãe brigando porque tinha mentido pra ela, já que ele estava mesmo é montando nos bezerros. Quando ela foi chegando mais perto, viu que o braço de João tinha quebrado, por isso ligou para o pai dele, que chegando ao curral foi logo perguntando:

-João meu filho, como você se machucou?

– Montei no bezerro e caí em cima do braço, pai. Respondeu o pequeno peão.

Então o pai o levou rapidamente para o hospital, onde ele teve que passar por uma cirurgia, e quando João teve alta, os pais dele disseram que ele nunca mais montaria de novo. E assim ele fez – nunca mais chegou perto de um curral, nem de um bezerro.

A senha do amor

Giullia da Cruz Ramalho

Tudo começou com uma senha de Wi-Fi, isso mesmo que você ouviu, porque o Wi-Fi tem a capacidade de juntar mundos diferentes

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Apesar de sermos vizinhos, Vincent Bittencourt vivia em um mundo muito diferente do meu. Isso porque os Bittencourt são donos da Alpha²,- uma das empresas mais famosas do país, e que tem o prédio mais alto e reluzente de Milão, com seus três herdeiros do império – os irmãos Bittencourt: Athena Bittencourt irmã mais velha, Apolo o caçula e o meu preferido – Vincent Bittencourt.

Digamos que eu tenha uma obsessão, um pouco saudável por ele, e o HD do meu computador é a prova concreta disso. Nunca troquei uma palavra sequer com ele, que também nunca notou minha presença, mas eu sei tudo o que ele faz, com quem ele sai e aonde ele vai. Bem, podemos dizer que eu acumulo, assim, muitíssimas informações sobre ele, ou pelo menos acumulava até rolar o que rolou com o meu Wi-Fi 

Ao que parece, meu roteador armou pra mim ou então ele sabia o que estava por acontecer, e ainda me ensinou que a senha que eu achava ser “difícil “, não era tão “difícil” quanto eu pensava, e nem que minha conexão ia me levar mais longe do que eu podia imaginar.

Nisso escuto um “Oi”, me agradecendo pela senha do Wi-Fi. Bati a cabeça na janela com o susto, e assim que me levantei estava lá o irmão caçula, Apolo. Ele me disse que o Vincent tinha dado minha senha para ele.

Então fiquei confusa, pois seu eu nunca tinha trocado nem uma palavra com ele, como ele poderia conhecer minha senha. Apolo então se despediu e saiu.

Pode até parecer estranho, mas realmente tudo começou com a senha da minha Internet. Eu havia adormecido escrevendo, nisso escuto um barulho do lado de fora da minha janela, fui olhar e lá estava o Vincent. Fiquei olhando e pensando, como puxar assunto? Eu deveria ser fria e calculista, ou doce e fofa?

Tomei coragem e perguntei então:

– Ei, você está usando meu Wi-Fi?

Então ele respondeu:

– Estou sim!

– Mas sem a minha permissão?

Nisso ele saiu de onde estava e falou:

– Me desculpe, mas eu tive um problema com o meu, então resolvi usar o seu..

– E você me fala isso com essa tranquilidade?

Vincent disse:

– Honestidade é uma das minhas qualidades.

Realmente era um idiota presunçoso, mas o meu amor por ele era maior do que tudo de errado que pudesse fazer. Então ele sorriu e se despediu.

No outro dia resolvi seguir ele. Estava indo em direção ao cemitério. Nisso eu tropecei e quase caí, mas ele me segurou e perguntou porque eu o estava seguindo?

Eu neguei que o estivesse seguindo, mas mesmo assim, aquele era um local público, por isso ele não podia me proibir de fazer o que eu bem entendesse. Aproveitei que começamos a conversar, e perguntei como ele havia conseguido a senha do meu Wi-Fi?

Então ele disse:

– Ah, foi fácil, pois a sua senha era a junção do nome dele, com números e letras.

Não sabia o que dizer, fique sem graça e com vergonha. Então ele perguntou:

– O que você quer comigo?

E respondi ainda sem graça:

– Quero que se apaixone por mim!

– Sinto muito, mas isso não será possível.

Bom eu também achava que isso realmente seria impossível, até poucos minutos atrás.

Cheguei em casa, tomei um banho e fui jantar. No frio que faz em Milão nada melhor do que a sopa da minha mãe. Acabei de jantar e fui dormir, não sem antes desligar o Wi-Fi.

Acordei assustada com um barulho, e lá estava ele, Vincent, no meu quarto ligando o Wi-Fi. Perguntei indignada:

– Ei, o que você está fazendo aqui? Por acaso está achando que é o dono da minha Internet? Você sabia que posso denunciar você por entrar na minha casa sem minha permissão?

Então ele disse:

– Claro que sabia disso, mas que eu não iria fazer nada porque normalmente os assediadores é que são denunciados pelas vítimas.

Ele falou que podia sim fazer isso, mas não o faria porque normalmente as assediadoras é que são denunciadas à polícia pela vítima.

Fiquei sem graça e sem resposta, então ele saiu, pulando minha janela. Tentei voltar a dormir, mas não consegui pensando naqueles olhos verdes e cabelos loiros, com um sorriso perfeito. Aquilo acabava comigo, mas no dia seguinte eu iria me deparar novamente com ele, no meu serviço.

Trabalho em um Parque de Diversão, onde eu vendo sorvete. Então ele chegou lá e me convidou para ir com ele à festa da sua irmã Athena, Ainda me disse que seu quisesse eu podia levar outras pessoas. Então chamei meu melhor amigo e minha melhor amiga. Confesso que estava bem nervosa pois seria minha primeira festa com os Bittencourt. Chegando lá encontrei com Vincent, ele estava entrando na área VIP, eu tentei entrar mais não consegui. Então Athena apareceu e me deixou passar.

Foi aí que tudo aconteceu. Encontrei o Vincent e começamos a conversar e assim pude conhecer quem ele era de verdade – um menino doce e alegre. Mas eu nem imaginava o que estava por acontecer depois dessa festa.

A gente se divertiu muito durante a semana,  ele estava me fazendo tão bem.Me prometeu que iríamos escalar uma montanha, mas infelizmente eu recebi uma notícia horrível, que destruiu meu coração.

Vincent havia morrido tentando escalar um monte, para me mandar uma selfie. Fiquei arrasada. Passei uma semana sem sair de casa, e o pior ainda estava por vir, arrumando minhas coisas, encontro dentro da minha mochila uma carta dele, onde estava escrito:

– “Se você está lendo essa carta, quero dizer que eu amei muito você. Sei que a gente nem era tão amigos assim, e eu não me aproximei antes de você, pois tinha medo de te machucar, mas saiba que eu tinha planos pra gente – te fazer feliz e ter uma família com você Ariella. Ass: Vincent.” 

Lendo aquela carta eu chorei muito. Não podia acreditar que o grande amor da minha vida tinha morrido. Depois disso, amar nunca mais fez sentido pra mim. Eu havia desistido de tudo.

Mas essa história não vai terminar igual nesses romances clichê, não. Eu realmente não consegui arrumar outro namorado, mas tenho aqui em casa duas pessoas que me amam muito – minha mãe Florência e meu cãozinho Billy. Só o amor deles já me faz feliz, mas claro eu jamais irei esquecer Vincent meu grande e único amor.

O menino e sua moto

Bernardo Heleno Búfalo

Há alguns anos atrás um menino nasceu no interior de Minas, em uma fazenda onde os seus pais eram muito trabalhadores e inteligentes. Lá faziam de tudo um pouco, e o menino foi crescendo com as tradições da roça, mas com o passar do tempo as coisas foram evoluindo e se modernizando. Seus pais sempre preocupados em melhorar a produção da Fazenda, foram comprando equipamentos novos, e máquinas mais modernas, para deixar o serviço mais rápido, fácil e menos cansativo.

Conforme o tempo foi passando, decidiram aumentar as criações e o menino, sempre muito inteligente e esperto, foi vendo e aprendendo por isso, passado algum tempo, assumiu algumas responsabilidades como buscar o gado e passar o arado com o trator.

Um dia ele teve uma ideia – comprar uma moto para tornar o serviço dentro da Fazenda mais rápido. Deus pais aprovaram a sugestão e, com muito esforço, compraram uma de trilha. Depois de um tempo que haviam comprado, e ele aprendido a pilotar, todos os fazendeiros da região ficaram surpresos, já que a Fazenda havia se tornado um modelo a ser seguido, com a produção aumentando, e a rotina de trabalho tendo ficado mais eficiente.

Quando completou seus 13 anos de idade, decidiu trocar de moto, e por conta disso seus amigos também compraram, e assim começaram a fazer trilhas pela região. Só que o moleque, de tão bom que era, começou a se destacar, então decidiu se aperfeiçoar mais no esporte. Assim, arrumou um professor para lhe ensinar, e começou a treinar duro – comprou os equipamentos de segurança, e começou a participar de competições.

Com isso tudo que estava acontecendo, seus pais ficaram muito felizes porque além dele estar ajudando na Fazenda, e curtindo suas horas de lazer, estava se destacando nas pistas de Motocross, tanto assim que começou a participar de competições em vários lugares do Brasil, e onde ele ia ganhava e se destacava por sua performance.

Sua família e amigos sempre incentivando sua carreira, enquanto tudo na fazenda ia bem, com a produção aumentando, por isso seus pais resolveram fazer uma festa surpresa para ele no seu aniversário de 14 anos – sem que ele soubesse, mandaram construir uma pista de motocross dentro da Fazenda.

O trabalho foi tão bem feito que a pista da Fazenda ficou reconhecida como uma das melhores em Minas, atraindo competidores de todo o Brasil. Por conta disso o menino começou a levar mais a sério o esporte, e em pouco tempo já estava ensinando para os meninos das outras fazendas.

Depois de algum tempo treinando sério, começou a pegar podium nas provas nacionais e, por conta disso, surgiu o convite para competir fora do país. Com o apoio dos seus pais, chegou o seu dia de sair do Brasil. Despediu-se de todos, botou uma pessoa substituindo ele na Fazenda, e partiu rumo aos Campeonatos Internacionais.

Como era uma pessoa da roça, não sabia falar outras línguas, por isso logo que chegou nos Estados Unidos, fez amizade com um outro rapaz brasileiro que estava lá estudando, e já sabia falar inglês. Contou ao novo amigo o que ele estava fazendo lá, que aceitou ser seu parceiro, dando todo o apoio que precisasse com a língua.

Logo, logo, ele conseguiu arrumar uma moto, e começou a treinar. Em pouco tempo já estava participando da prova de Motocross mais importante que existia no mundo. E não era fácil participar, pois tinham muitos pilotos, e ainda tinham as classificatórias. Mas ainda assim começou a se destacar, chegando na prova principal, quando haviam somente 10 participantes.

Os outros pilotos não ficaram muito contentes com a habilidade daquele menino brasileiro, por isso decidiram sabotar sua moto, estragando seu freio para causar uma queda. Sem saber de nada, ele montou na sua moto e saiu acelerando. Pulou a primeira rampa, pulou a segunda e na terceira, quando foi freiar acabando sofrendo um grave acidente, que fez com que ele perdesse um braço.

Foi socorrido imediatamente, e levado para um hospital, mas o estrago já estava feito. Seus pais ficaram muito tristes quando ficaram sabendo no Brasil, pois o menino nunca mais iria conseguir alcançar o objetivo maior da sua vida – ganhar um Campeonato Internacional de Motocross.

Em busca da cura

Annaluiza Freitas de Paula

Gabriel e Pedro eram grandes amigos que moravam em uma mesma cidade, Ela era pequena, mas lá havia de tudo um pouco; tinha bons empregos, bom ambiente, gente legal e tranquilidade, tudo era normal. Os dois gostavam muito de uma aventura, então resolveram ir atrás. Gabriel já deixou avisado para sua mãe, daí ela respondeu:

-Não vai muito longe, hein menino!

-Pode deixar mãe. Respondeu.

Então seguiram viagem, até aí tudo bem. Mas de repente se depararam com uma velha Usina nuclear, que havia explodido muito antes deles existirem.

-Pedro, vamos ver o que tem lá dentro? Pergunta Gabriel curioso com a tal Usina.

-Ah Gabriel não sei, mas… Tá bom, vamos. Responde Pedro com um olhar meio desconfiado.

Quando entraram, não havia quase nada, a não ser uma pilha de restos do que a explosão fez e uma caixa – ela estava tão novinha que até parecia que alguém a havia colocado a pouco tempo ali. Os meninos, como não eram bobos nem nada, a levaram com eles. Na hora observaram que nela estava escrito “Cuidado, material contagioso”.

Dentro dela tinham vários tubos de ensaio, com o teste de um vírus muito letal. O amigo de Pedro saiu correndo na frente, com ela nos braços, para chegar na cidade.

-Gabriel cuidado! Você vai derrubar a caixa! Grita Pedro, pois seu amigo estava a ponto de cair de cara.

De repente, ele topa com uma pedra que o faz cair. Então a caixa se abre e os tubos todos quebram. Enquanto ainda havia tempo, antes de atingir toda a cidade, os dois lembraram do Drº Antony, um antigo médico especialista em doenças. O problema é que eles não sabiam por onde ele andava, porque depois de perder sua esposa ele sumiu e ninguém nunca mais ouviu falar dele.

Então foram à procura de informações sobre o conteúdo da caixa, mas a busca não adiantou de nada, pois não encontraram nenhuma pista, e o ar estava se contaminando cada vez mais. Eles ficaram acordados a noite toda procurando o misterioso médico, e somente no outro dia é que o encontraram.

-Estranho. Aqui diz que ele mora próximo à Usina. Diz Pedro, sem entender.

Eles realmente acharam esquisita aquela coincidência, mas mesmo assim foram atrás desse doutor. Chegando lá, repararam que realmente o homem não saía há tempos de casa, porque ela estava a ponto de cair de tão mal cuidada.

Mesmo assim, tinham que procurar ajuda, e bem rápido.

Gabriel, como sempre se achando o corajoso foi na frente, e Pedro logo atrás, mas quando foram entrar a casa estava toda empoeirada, e muito escura.

-Senhor Antony! Senhor Antony! Gritaram os garotos entrando pela porta sem enxergar uma alma viva.

-Será que tem alguém morando aqui ainda? Se pergunta Pedro.

-Ah! Olá meus jovens, há muito tempo não recebo visitas. Responde o doutor.

Os garotos viram que esse médico já era bem idoso, talvez ele não pudesse ajudar muito, por isso resolveram apenas fazer algumas perguntas. Mas Antony também guardava um segredo, que muitos ali não tinham nem ideia do que pudesse ser.

Quando Gabriel e Pedro disseram o que havia ocorrido, o médico reagiu de uma forma um pouco suspeita, porque parecia que ele sabia de alguma coisa. Mesmo assim, o idoso explicou o que eles teriam de fazer:

– Vamos ao meu laboratório, e lá mostrarei o que terão de fazer.

-Ok. Responderam os meninos.

Foram então em busca da cura, mas não conseguiam ter algum sucesso sequer. Horas e horas depois, encontraram uma fórmula alternativa que poderia funcionar, mas eles teriam que correr porque o vírus já estava chegando perto. Então os três foram para a cidade, só que a contaminação criou uma grande nuvem no ambiente impedindo-os de enxergar um palmo na frente do nariz. Então os meninos avistaram um prédio, de onde poderiam lançar o remédio que salvaria a todos.

Eles resolveram ir, mas o doutor achou que deveria ficar para trás, porque como era idoso poderia ter dificuldades, e atrapalhar os meninos. No meio do caminho Pedro parecia não se sentir muito bem.

– Pedro você está bem? Pergunta Gabriel.

– Est… cof cof. Tô sim, relaxa. Responde Pedro com uma voz fraca.

Gabriel viu que seu amigo foi perdendo cada vez mais sua força, por isso o garoto teve que carregá-lo até o topo do prédio. Ele estava a ponto de morrer, mas Gabriel não desistiu e conseguiu chegar ao fim.

– Fique calmo meu irmão, já estamos chegando, diz Gabriel consolando Pedro em seus braços. 

O garoto preparou o antidoto, só que ele também havia sido infectado, e a fraqueza foi só aumentando, parecia que alcançar o objetivo estava ficando cada vez mais difícil. Quando foi lançar o preparado, o menino escorregou de tão tonto. Quase que o plano de salvação fracassa, mas por sorte deu tudo certo.

O vírus evaporou, e os casos foram diminuindo. Só os garotos que demoraram um pouco mais para se recuperaram, devido à alta exposição que tiveram. Já saudáveis de novo, foram encontrar o velho médico.

– É rapazes, vocês conseguiram, parabéns! Diz Drº Antony cumprimentando-os.

– Muito obrigado Doutor. Agradecem os dois.

– Mas de onde será que veio esse vírus? Questiona Pedro.

– Então meninos, na verdade fui eu quem o criei. Responde o velho.

-Oi, como assim?! Perguntaram assustados os meninos.

O médico explicou aos rapazes que ele estava trabalhando na criação de um vírus no laboratório para um projeto super secreto, quando a Usina explodiu. Por isso ele não pode terminar a pesquisa. Satisfeitos com a explicação, os dois garotos resolveram, então, virar ajudantes do Drº Antony, em seus estudos no laboratório.