Pedro Bial, em 2003, já falava que “Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você. As suas escolhas têm sempre metade das chances de dar certo, É assim para todo mundo.” Essa é uma verdade, daquelas bem verdadeiras, que deve (ou deveria) servir de norte em nossa vida, até por que não somos máquinas para tomar decisões baseadas em estatísticas e probabilidades, mas sim pessoas humanas que erram e aprendem com seus erros e acertos. E por falar em máquinas que fazem escolhas …
O ano era 1997. Uma partida de xadrez ficou marcada na história, isso por que o maior enxadrista de todos os tempos, àquela época, o russo Gary Kasparov, perdeu uma partida para uma máquina – o supercomputador DeepBlue, projetado pela IBM, que era capaz de calcular 200 milhões de posições em um segundo. Para quem não conhece, o xadrez é um jogo de estratégia baseado na movimentação das peças em um tabuleiro, por isso, essa capacidade de definir as jogadas, fez toda a diferença. Passado o vexame, Kasparov jogou outras 5 partidas contra a máquina empatando duas, e ganhando três.
Nos dias atuais um DeepBlue seria considerado brinquedo de criança com os avanços da Inteligência Artificial (IA) cada vez mais presente, e popularizada, em nosso dia-a-dia através de assistentes domésticos, serviços bancários e até na condução e segurança dos veículos. Em um futuro bem próximo, o veículo será 100% autônomo, mas a questão é: e se o veículo tiver que desviar de dois obstáculos, sendo um deles um cachorro e uma criança – qual decisão ele irá tomar? Baseada no menor poder de destruição e impacto? E, se ao invés de um cachorro, fossem uma idosa e uma criança?
Para além de números e percentuais, escolhas não são sempre objetivas. Ao contrário, na maioria das vezes, baseadas em valores morais e éticos que as máquinas, ao menos por enquanto, ainda não conseguem reproduzir. Por isso mesmo, a chance de a sua escolha não ser a mais acertada vai sempre existir, e acontece todo dia em nossas vidas. E este será um ano de tomada de decisões, onde os brasileiros deverão definir qual caminho desejam que o país deva seguir, a partir de 2023.
Muito mais do que escolher entre programas e legendas partidárias, entre Direita, Centro ou Esquerda, necessário se faz que cada um tome uma decisão baseada nos princípios éticos, nos valores que melhor os representa, afinal, segundo o filósofo italiano Norberto Bobbio, a Ideologia seria “um conjunto de ideias e de valores que tem como função orientar comportamentos políticos e coletivos” e, no Brasil, os partidos políticos demonstram a todo momento que isso para eles, é mero sinônimo de escambo e oportunismo eleitoral (a maioria deles???).
Por isso, não troque os seus princípios por sacos de cimento, promessas de dinheiro fácil ou emprego público – no final das contas, como não somos um DeepBlue ou uma Inteligência Artificial, nunca teremos certeza do resultado, nem pesquisa eleitoral nenhuma dará essa garantia, mas como bem lembrou Bial, “As suas escolhas têm sempre metade das chances de dar certo, É assim para todo mundo!”, e isso já é o bastante para fazer valer a pena.