Respeito é bom, e eu gosto!

Vivemos hoje em um tempo de suscetibilidades, onde deve-se pensar não três, mas trinta vezes antes de se emitir um posicionamento público – ainda mais quando tratar-se de Costumes (gênero, raça, credo e orientação sexual, por exemplo). Não que isso seja ruim, ao contrário. Mas será que as pessoas, realmente, sabem do que se trata aquilo que elas tanto cobram?

A palavra Respeito tem sua origem no Latim e significa “olhar para trás”, “olhar novamente”, o que nos remete à ideia de que “Respeitar” é demonstrar empatia com expressões e posicionamentos que sejam diferentes dos nossos – trocando em miúdos, é aceitar que o mundo não gira em torno do nosso umbigo, portanto, existem outros pontos de vista e formas de pensar, talvez, até melhores do que o nosso. E é justamente aí que mora o “X” da questão.

No mundo contemporâneo Liberdade, Licenciosidade e Liberalidade são confundidas a todo momento por indivíduos, tribos, coletivos e agremiações político ou religiosas, pois, enquanto a primeira representa um Direito Universal e inquestionável, a segunda traz uma falsa ideia de que tudo é permitido, e na defesa desse “livremente expressar-se” é evocado erroneamente o Artigo 5º da Constituição Brasileira, que trata justamente da garantia das Liberdades Fundamentais de todo cidadão.

Quanto ao último, a Liberalidade é a expressão de quem se define “Liberal” (e vai muito além de uma legenda partidária) como bem destaca o escritor peruano Mário Vargas Llosa, prêmio Nobel de Literatura, quando afirma que “O liberalismo não é uma receita econômica, mas uma atitude fundada na tolerância e no respeito, no amor pela cultura, na vontade de coexistir com o outro e numa defesa firme da liberdade.”

Ora, portanto, o Respeito e a Liberdade são irmãos gêmeos, siameses, daqueles ligados umbilicalmente, onde um morre se o outro se afastar, e graças a isso não vivemos mais em cavernas, ou pelo menos deveria ser assim. Só que a realidade dos fatos, estampada nas manchetes dos jornais, mostra uma volta à barbárie e ao individualismo, basta ver o assassinato brutal do jovem refugiado congolês em um dos pontos turísticos mais badalados da orla carioca – crime de xenofobia e racismo.

Respeito é bom, e eu gosto muito, só que o caminho que leva a esse princípio de civilidade foi construído em uma rodovia de mão dupla, com tráfego intenso nos dois sentidos, onde tudo vai bem quando cada condutor mantém seu veículo na mão correta de direção, respeitando as regras e a sinalização de trânsito. No entanto, quando um afoito resolve invadir a outra pista, o acidente é quase certo e quando ele não se transforma em uma tragédia fatal, pode causar sérios danos à capacidade de coexistência harmoniosa em sociedade, levando à morte os irmãos xipófagos – Respeito e Liberdade.

Portanto, antes de sair levantando bandeiras, agredindo pessoas e destruindo vidas e reputações sob a égide da Liberdade de Expressão, não se esqueça de que a condição causal para que você seja respeitado, é respeitar o direito, a voz e a opinião daquele que trafega na via oposta à sua.

Deixe um comentário