Desejo

Só de olhar para ela, seu corpo ardia em brasa. Sua forma esguia, com traseira empinada lhe deixavam enlouquecido. Elegância era seu nome,  parecia flutuar sobre nuvens enquanto se movia. Quando seus olhos piscavam, era pura lascívia.

-Ai meu Deus! Um dia eu ainda vou comprar essa bicicleta!

O sino

No alto do morro é possível avistar o que sobrou da Igreja: as paredes, e a torre do sino que cuidava de avisar a comunidade sobre morte, nascimento e até das missas. Hoje, o sino não está mais lá, mas seu badalo ainda é ouvido nas noites de agosto, anunciando a procissão das almas perdidas, a caminho do purgatório.

Linhagem

No tempo em que esposa era pega no laço, Antônio – mulato português – se encantou por Iraci – uma índia nativa. Desse cruzamento, nasceram brancos encardidos, e até mulatos.

João foi um desses. Policial de ofício, alta patente, de tão inteligente e capaz, falava com Presidente e até com o Papa. E a história se repetiu. 

João encantou-se por Elisa, que não era índia, nem foi pega no laço. Filha de europeus de olhos azuis, casou-se com o militar, ainda que com alguns dentes quebrados. No final, tudo deu certo e dessa mestiçagem nasceu até um famoso escritor, dizem por aí.

Panem et circenses

Aroeira era uma cidadela do interior, onde seu festeiro Prefeito tinha por tradição comemorar seu natalício em praça pública, regado a cerveja e boi no rolete – tudo de graça.

Enquanto o forró corria solto, o boi rodava no espeto e os fogos estouravam no ar, a mãe natureza resolveu levar a ponte, que ligava o centro à zona rural.

A força da água foi tamanha que arrastou estrutura, carro, moto e até municípes, que não chegarão a tempo de tomar uma gelada, e comer uma costela com o Prefeito.