Existem costumes no interior, que quem é da cidade grande não entende, e pode até chegar desrespeitoso. Beber o defunto é um deles.
São Damião era um vilarejo cortado pelo rio das Garças. De uma beira era Minas, atravessando a ponte era Goiás. Por lá existiu um tal Aristides ~ solteirão, amante de cachaça, carteado e mulher dama. Por sorte, nasceu afortunado, e as cabeças de boi garantiram suas farras até o fim.
E esse dia chegou. No leito de morte, Tião, seu capataz, e único amigo, ouvia atento às recomendações do patrão.
~ Entendeu tudo, Tião?
~ Pode descansar em paz, patrãozinho. Tá tudo entendido.
Então, o homem fechou os olhos, e fez seu passamento. No dia seguinte a Vila ficou movimentada. Veio gente de Goiás e até de Brasília para acompanhar o velório de Aristides. Seguindo as recomendações do patrão, Tião.mandou servir a melhor cachaça, cerveja e wiskihy 15 anos para os convidados beberem o defunto.
Acompanhando o cortejo, a banda de Nossa Senhora do Rosário tocou as músicas preferidas de Aristides.
Na hora de descer o caixão na sepultura, uma última rodada, e o brinde ao agora defunto. Quando os coveiros jogaram a última pá de terra, o céu pipocou com um foguetório que foi visto até para os lados da Goiás velha.
Lá de cima, Aristides acompanhava tudo ao lado de São Pedro, com um copo de pinga na mão, sem esquecer de oferecer, logicamente, um gole para o Santo.