Francisco era um adolescente normal – bagunçava nas aulas, paquerava as bonitinhas da sala, adorava uma trend nova. Naquela manhã, Brigitte trouxe a novidade:
-E aí Francisco, já tá sabendo da boa?
-Tô não, passa a visão aí menina.
-É o seguinte – chama a “hora morta”. Dizem que entre 1 e 2 da manhã, um portal se abre, e você consegue se comunicar com os mortos. O pessoal está marcando de ir lá em casa hoje à noite, pra gente experimentar.
-Tô dentro.
-Mas tem uma coisa – quem participa não pode demonstrar medo, senão o guardião do portal o leva embora. Dizem que quem é levado, nunca mais volta.
-Que lôco menina, agora que eu quero participar mesmo.
O papo é interrompido pela chegada da professora.
Na hora combinada, ele bateu na porta da casa da colega. Os pais trabalhavam à noite, então a casa seria só deles. Junto com Brigite estavam Luca e Fabrício. Já era quase uma hora e, somente a luz das velas na sala, iluminavam o ambiente. Entre risos e sustos, o relógio avisou que a hora morta iria começar.
– Existe alguém aqui que queira se comunicar com a gente? – perguntou Brigite tomando a frente dos trabalhos.
Silêncio.
Então, perguntou novamente:
– O Guardião está aqui?
Nada.
-Ih garota, acho que isso aqui é uma furada, falou Francisco em tom de deboche.
De repente, as velas se apagaram, e uma voz sombria respondeu:
– Sim, estou.
A molecada que estava só na zoeira, deu um grito de susto.
-Quem falou isso Brigite? – perguntou Luca assustado.
-Não sei, respondeu a menina. Foi você Francisco?
-Claro que não, deve ter sido o Fabrício.
-Eu nada porra, to me mijando de medo aqui.
E a voz tornou a falar:
-Não queriam abrir o Portal dos Mortos? Pois bem, ele está aberto, e agora vou levar todos embora comigo, para sempre!
Então, a trupe corajosa começou a gritar e chorar, enquanto o Guardião gargalhava.
-Tarde demais seus merdinhas medrosos! disse em tom ameaçador. E a sala toda começou a queimar.
Na manhã seguinte, quando os pais de Brigite chegaram em casa, não encontraram a filha, nem tampouco os colegas, tudo estava arrumado como se nada tivesse acontecido. Dos quatro? Nunca mais se teve notícia.