Sentado no peitoril da janela, observa os carros passando acelerados na avenida, as pessoas-formiga correndo para atravessar o sinal, a vida passando rápida diante dos seus olhos.
Naquele instante-memória, lembra saudoso de quando morava no interior, onde tudo passava devagar. As pessoas andavam no ritmo dos carros-de-boi, as crianças ziguezagueavam nos quintais como borboletas, a vida tinha o ritmo dos carneiros d’água.
De repente, se dá conta de que ainda não tinha pedido perdão a quem magoou, feito a viagem que tanto sonhou, nem encontrado um grande amor que desse sentido à sua existência. Mas já não havia mais tempo. O asfalto duro, quente e áspero já apressava em chegar, e num lapso final seu mundo ficou todo vermelho – vermelho cor de sangue.