Doce vingança

– Então minha filha, não se esqueça de misturar em algo bem doce, porque o gosto dessa noz é muito amargo.

-Tá bom Dona Santa, tá aqui o nosso combinado.

Rapidamente entrou no carro, e foi para casa. Chegando lá, pegou o pistache e caprichou na Nutella, para ficar bem doce. Por pura gula, deixou alguns para saborear à noite, comemorando a vitória sobre a chefe patife, que não havia lhe dado a promoção tão esperada.

-Vaca, estou aguardando essa vaga de gerente há tanto tempo, e ela vai e promove a sonsa da Deise. Mas dessa eu cuido depois.

Chegando na loja, foi direto para sala de Vânia, e lhe entregou o mimo feito com tanto carinho.

-Oh Bete, pra quê isso? Achei que você estivesse zangada comigo, por causa da promoção da Deise.

-Zangada? Eu? Que isso Vânia, para mim além de uma ótima chefe, você é um exemplo de mulher de sucesso. Um dia quero ser como você. Olha e fiz do jeito que você gosta, pistache com bastante Nutella, super hiper doce.

– Hum, vou comer um agora!

Bete saiu, e foi para o balcão atender, como sempre odiou fazer. Daí a pouco, um tumulto na loja – médicos do SAMU entram correndo com uma maca. Se fazendo de desentendida, pergunta a Deise.

-Que confusão é essa?

– Menina, do nada a Vânia começou a passar mal, os músculos foram se enrijecendo, e ela entrou em convulsão.

– Coitada, vai ver que é coração, ela é tão nervosa!

Logo em seguida chegou a notícia – a chefe estava morta. Com o fechamento mais cedo do estabelecimento, Bete foi direto para casa, comemorar sua vingança.

Chegando lá, abriu um vinho, sentou-se no sofá e foi saborear os bombons que havia separado, sem a estricnina.

Duas taças de vinho depois, e alguns bombons, seu corpo começou a enrijecer. A taça caiu de suas mãos. e ela pensou:

-Merda, será que eu fiz essa burrada?

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