Missa de finados

Chego em casa ainda muito abalada, pois fui ver Débora depois da missa. Antes de entrar, deixo sapato, roupas tudo do lado de fora, e vou direto para o chuveiro. Minha avó era cheia de superstições, e dizia que não se devia entrar com roupa de cemitério dentro de casa. O motivo? Não sei, mas acabei guardando essa mania.

Há um ano ela havia partido. O que doía não era só a perda, não era a enorme falta que ela fazia em minha vida, mas a maneira como tudo tinha acontecido. Por quê?

“ 18 de março, dia de São José, nosso padrinho de namoro. Estávamos comemorando cinco anos de relacionamento. Débora estava radiante de felicidade. Acordamos cedo, fomos à missa, e saindo da Igreja ela me perguntou:

-Então meu amor. Para onde você quer ir agora?

-Pra qualquer lugar onde eu esteja com você.

Entramos no u e saímos. No meio do caminho, ela recebeu uma mensagem no celular. Deu uma freiada brusca, e encostou.

-Meu amor vou ter que resolver uma coisa urgente. Pega um Uber e me espera em casa, para almoçarmos juntas.

-Mas o que houve?

-Nada sério minha linda, apenas confia e faz o que eu tô te pedindo.

Sem entender nada, desci, chamei um Uber e fui pra casa. Débora nunca mais voltou. Na manhã seguinte, seu carro foi encontrado dento de um precipício. A Polícia concluiu que ela tirou a própria vida, pois não havia razão para o veículo tomar aquela direção…”

No meio do banho, o telefone da sala toca. Me enrolo na toalha, e vou atender:

-Alô?

Do outro lado nenhuma resposta, apenas o som de uma respiração. Desligo. Certamente era um trote. Termino meu banho, e vou para cozinha arrumar meu café. O telefone toca de novo:

-Alô?

Dessa vez ouço uma resposta.

-Sou eu, meu amor!

De repente, o aparelho de som liga sozinho, e toca nossa música preferida.

-Não pode ser você Débora. Deixei uma rosa na sua lápide, agora há pouco.

Desligo assustada. Quem estaria brincando comigo? E toca outra vez::

-Que palhaçada é essa? Atendo irritada.

Então, a tela do computador acende, e nela aparece a palavra – SAUDADE. Do outro lado da linha, a voz responde:

-Meu amor, por que está me tratando assim?

-Isso não é possível. Respondo com os olhos marejados.

Meu celular vibra, e surge um SMS, cheio de emojis de coração.

-Onde você está? O que está acontecendo? Pergunto angustiada, ainda ao telefone

-Estou aqui.

Ouço a maçaneta da porta girar, e então, ela se abre…

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