Oxímoro

Maria Beatriz e Izabel eram como água para vinho. A primeira meiga, transparente, muito aplicada nos estudos. Já a segunda, era atrevida, dissimulada e preguiçosa, principalmente quando o assunto era escola.

Cursando o segundo ano do ensino médio, a amizade já existia desde o infantil. De gênios opostos, mas sempre próximas, uma não desgrudava da outra.

Ocorre que algo mudou, com a chegada da adolescência. Não na personalidade, mas sim na sensualidade. Apesar de ambas terem experimentado namoricos infantis, nem uma nem outra havia firmado compromisso com moleque algum, e olha que Maria era uma linda morena cor de jambo, e Izabel uma ruiva de olhos verdes.

No baile de formatura, já com a turma tratando a relação das duas como namoro, Bel – a mais atirada – roubou um beijo de novela de Bia, no meio de todo mundo no salão. Ao contrário do que a maioria pensaria, as famílias aceitaram com naturalidade o relacionamento, até porque era evidente para todos (menos para elas) que havia muito mais do que amizade ali.

Os anos se passaram, Maria Beatriz se formou médica pediatra, e Izabel promotora de justiça. Casadas de pouco, decidiram buscar a fertilização fora do país, onde Bia seria a responsável pela gestação, e o óvulo seria retirado da companheira.

A boa, mas agitada relação das duas, só serviu para comprovar que se água e vinho não se misturam, podem se harmonizar perfeitamente. Isso porque um bom gole de tinto seco, pede a companhia de um generoso copo d’água, para limpar as papilas gustativas, salientando os sabores e aromas da relação, bem como para evitar a ressaca da rotina, no dia seguinte.

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