Houve um tempo, em um passado longínquo, onde o homem e a mulher eram os únicos responsáveis por tornar a vida à dois prazerosa para ambos. Logicamente que isso não era uma equação matemática, por isso nem sempre dava certo – questão de pele e de carinho – mas, de maneira geral, era assim que os casais se formavam, e viviam sua sexualidade em plenitude. Hoje, ao que parece, alguma coisa mudou …
Tida e Fernando eram um casal moderno. Jovens, se conheceram em uma balada de final de semana, e logo já estavam morando juntos. Na intimidade um sabia exatamente aquilo que o outro gostava, então prazer nunca fui um problema para eles. Não viviam em um relacionamento aberto, mas também nunca se furtaram a experimentar novidades, quando elas surgiam. Outubro já vinha chegando, e depois de mais uma noite de folia, Tida vira para o namorido e pergunta:
– Nando, o que é que eu vou ganhar de presente no Dia das Crianças?
Rindo, e com cara de deboche, ele pergunta:
– Tá falando sério, amor?
– Claro, responde ela. Vamos fazer uma brincadeira, eu te dou um presente, e você me dá outro. Mas vamos trocar presentes de adultos, topa?
– Presente de adulto? O que seria isso?
– Brinquedos eróticos, amor.
– Ah tá, agora entendi. Gostei da ideia.
– Mas tem uma condição, disse a empolgada parceira.
– E qual seria ela?
– Você não pode saber o que eu vou lhe dar, nem você me dizer o que comprará pra mim. Tem que ser surpresa.
– Beleza então, eu topo.
Trato feito, o casal se apressou em providenciar os mimos. Cada um escolheu aquilo que acreditava daria mais daria prazer e satisfação para o outro, e ficou combinado que a entrega seria na noite do dia 12, em um quarto de Motel. Nem um nem outro conseguia esconder a ansiedade e a excitação, e para não estragar a brincadeira, combinaram de enviar os presentes para o quarto reservado, pois assim só descobririam a surpresa quando lá chegassem.
Tida se perfumou, colocou a lingerie mais sexy que tinha, enquanto Nando deu um trato no “Joãozinho”, deixando a área toda lisa e sem pelos, como sua mulher mais gostava.
Entrando no quarto, a grande revelação aconteceu.
Para Tida, ele escolheu um estimulador erótico de dupla função – além de vibrador, o brinquedo também servia como massageador do clitóris, na cor preferida dela – rosa.
Não é preciso dizer que a jovem adorou a surpresa, mas surpreso mesmo ficou Nando, quando levantou o lençol da cama, e descobriu qual era o seu brinquedinho – uma boneca japonesa, incrivelmente realista, em silicone.
O rapaz ficou boquiaberto com o tamanho do presente, tinha 1,58m – quase a altura da namorida – e era realmente impressionante como parecia uma mulher de verdade, muito bonita e atraente por sinal, que até mesmo o calor nas regiões íntimas era capaz de simular.
Aquela noite foi longa e quente – ambos aproveitaram ao máximo seus novos acessórios, juntos e separadamente, e só saíram do Motel quando o sol já estava a pino, muito bem acompanhados pelas novidades que haviam recebido um do outro. Os dias e meses que se seguiram foram de pura diversão, não havia uma noite sequer em que não recorressem aos mimos, para estimular e apimentar ainda mais uma relação que já era, naturalmente, quente.
Foi então que algo muito singular começou a acontecer – quando se deram conta, ela estava se relacionando apenas com seu estimulador, e ele a havia trocado por Suzy, nome sugerido por Tida para sua amante nipônica.
Bem resolvidos que eram, decidiram pela separação. Cada um foi para o seu canto, viver a vida junto daquilo que lhe dava satisfação, sem ter que conviver com o mau humor do outro, sem a bendita TPM, sem a toalha molhada em cima da cama e a tampa do vaso suja de xixi – desconfortos naturais, e esperados, em qualquer relação à dois. Sinais da modernidade, que somente os entendidos, entenderão.