Nunca gostei de passar por aquela rua pois sentia calafrios, e olha que isso acontecia todos os dias – era o meu trajeto saindo da faculdade, até o ponto de ônibus para casa. Devia ter mudado de faculdade, de ônibus ou até de endereço enquanto tive chance.
Uma rua escura, mal iluminada, com prédios antigos, e dentre eles se destacava o Hotel São Bernardo – uma edificação centenária que, apesar de restaurada, ainda guardava um ar sombrio, e muitas histórias de fantasmas. A recepção escura, com seu mobiliário antigo aumentava essa sensação. Mesmo assim, continuava funcionando, e recebendo hóspedes.
Certa noite, caía uma garoa fina, fazia muito frio, e a rua estava deserta. Quando passo em frente à porta do São Bernardo, uma garotinha vem correndo lá de dentro, pedindo ajuda.
-Socorro, socorro!
-Que foi menina? O que aconteceu?
-Moça, moça me ajuda. Minha mãe está passando mal lá em cima.
-Ta bom meu amor, mas pede ajuda a alguém do hotel
-Não tem ninguém aqui, nós estamos sozinhas, me ajuda moça.
Sem ter como resistir, peguei a menina pela mão e fui em direção ao elevador.
-Em qual quarto vocês estão?
-No 506.
-Apertei o botão, a porta se fechou e só aí me dei conta de que era um daqueles elevadores antigos, que pareciam mais uma gaiola. Pensei comigo: ai meu Deus, tomara que isso não trave!
Chegando no andar, a garotinha saiu me puxando. A porta do quarto estava aberta. Fomos entrando, e vejo uma moça sobre a cama cheia de sangue, já sem vida, com o pescoço degolado.
-O que aconteceu aqui? Me viro assustada para perguntar a garotinha.
Nisso, a porta se fecha, e tudo fica escuro.
-Menina, cadê você?
Uma voz rouca e sombria responde.
-Aqui agora, somente eu e você!
-Quem está aí?
Num instante a luz se acende de novo, e vejo um homem todo de preto, com unhas grandes como garras, olhos vermelhos e uma faca nas mãos..
Antes que eu tivesse tempo de gritar, ele pulou em cima de mim, cortou meu pescoço, e o sangue começou a jorrar pelo chão do quarto do Hotel São Bernardo.