Síndrome de Cinderela

Giovanna foi um bebê muito esperado, e desejado. Cláudio e Patrícia, seus pais, tentaram por três vezes, até que finalmente deu certo.

Ela era uma criança linda, parecia saída de um conto de fadas. A pele branca como as nuvens, contrastava com os olhos azuis turquesa, e a boca vermelha como um rubi. Seus cabelos de tão loiros, pareciam fios de ouro – uma bebê perfeita.

Até que, com 30 dias, uma anomalia no coração a levou de volta ao hospital. Ficou internada por dois meses, até que uma junta médica, formada especialmente para cuidar de seu caso, deu o diagnóstico. Giovanna sofria de uma doença muito rara, causada por uma alteração cromossômica, que atinge um indivíduo por milhão, e faz com que o coração tenha um prazo determinado de funcionamento. Atingido esse limite, simplesmente para de bater. Por conta disso, a doença foi denominada Síndrome de Cinderela. No caso da pequena, os médicos estimaram em 15 anos, seu tempo máximo de vida.

Aquela notícia abalou profundamente a família, que quase sucumbiu ao desespero. Mas por muito amor à sua princesa, decidiram que fariam de tudo para que ela fosse feliz, enquanto tivesse vida. E assim aconteceu. 

A menina cresceu saudável, apesar da Síndrome, e foi cercada de muito amor. Giovanna era linda, doce e parecia ter o poder de encantar a todos. Na escola, cativou professores e colegas, desde o infantil até o fundamental, mas então chegou a data tão temida.

Perto de completar 15 anos, a garota escolheu Cinderela como tema de sua festa de debutante. Tudo foi feito do jeito que ela pediu. Na noite do baile estava linda, parecia realmente uma princesa. Bailou com seu pai e seus amigos, e parecia flutuar no salão . Quando o relógio bateu meia noite, a menina se transformou em moça, e dançou sua última valsa. 

Naquela noite, após comemorar sua décima quinta primavera, Giovanna foi dormir, para nunca mais acordar.

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