Junho

João foi dormir muito chateado naqueles dias. Tudo porque tinham dito pra ele que a Festa em sua honra não iria acontecer, por conta de uma tal epidemia de Covid-19.

 – Ara, pensou ele muito desgostoso. Que raio de doença é essa? Cumo é que as criança vão dança quadrilha, pula fogueira, solta estalinho e subi no pau-de-sebo, se elas tão tudo trancada dentro das casa?

Manoel, reconhecido por ser muito paciente, vendo João tão desconsolado, resolveu recorrer a Pedro, o homem de confiança do pescador, em busca de uma solução.

– Pedro, o João tá muito aborrecido com essa história de não ter Festa. O que você pode fazer pra ajudar o meu amigo?

Pedro parou, pensou um instante, e logo deu a sentença.

– Tome aqui meu caro. Junte a molecada e mande espalhar esse remédio dentro das caixas d’água, e assim todo mundo vai poder comemorar junto de novo.

Intrigado, Manoel pergunta ao sabido homem:

– Mais que remédio é esse que você arrumou, que faz tanto milagre assim?

Pedro então responde com toda a segurança que lhe era peculiar:

– O nome dele é vacina, meu amigo resignado.

O mandado foi cumprido. Todas as casas tomaram daquela água santa, e assim aconteceu em Campina Grande o maior arraial de todos os tempos, em honra a São João, São Pedro e São Manoel.

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