A presa

Em uma noite sombria e gelada de junho, sentado sozinho na rodoviária, folheava as notícias no celular, enquanto aguardava o ônibus. De repente, ouviu um lamúrio vindo do banheiro feminino. Intrigado, bateu na porta, e perguntou:

-Oi, tudo bem aí? Está precisando de alguma ajuda?

O choro parou. Pensou – deve ser coisa da minha cabeça. Voltou para o banco, e seus jornais.

Então, escutou de novo, agora um grito bem alto.

-Me larga! Socorro!

Correu e empurrou a porta. Quando ela abriu, encontrou uma adolescente encolhida no chão, com as roupas rasgadas e sujas de sangue.

-Meu pai do céu, o que houve com você menina?

-Me ajuda moço, pedia a jovem em prantos.

-Ajudo, mas o que foi que aconteceu?

De repente, as lágrimas cessaram, o semblante ficou transfigurado, e ela se levantou.

-Você não se lembra mesmo?

-Me lembrar? Do que você está falando, garota?

-Canalha! Você não reconhece quem violentou, e depois matou?

Quando olhou para o lado, viu o corpo da jovem no chão, e seu transtornado algoz tirando a própria vida com uma faca.

-Não, isso não pode ser verdade!

-Seu babaca, olhe a data no celular. Há sete anos essa cena se repete todas as noites. Estou presa nesse inferno por sua culpa!

Quando olhou para a tela do aparelho, a cabeça começou a rodar, e toda a história se passou à sua frente, como da primeira vez.

Em uma noite sombria e gelada de junho, sentado sozinho na rodoviária, folheava as notícias no celular, enquanto aguardava o ônibus… Foi quando uma jovem entrou no saguão, e foi direto para o banheiro. O cheiro de presa atiçou o predador, que aproveitou a oportunidade, e tratou de segui-la. Trancou a porta para que ninguém entrasse, e então o pior aconteceu.

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