Praxedes era um sonhador contumaz, que perdeu o contato com o mundo real, vivendo apenas no seu metaverso onírico. Preocupados com a sua sanidade, seus familiares resolveram interná-lo em uma clínica psiquiátrica.
Na primeira consulta com o médico, ele explicou:
-Doutor, deve estar havendo algum equívoco. Eu não tenho problema algum.
-Com certeza não, Praxedes. E eu estou aqui para garantir isso. Afirmou o experiente médico.
-Pois é Doutor, meus parentes cismaram que estou maluco, só porque eu vivo em dois mundos. Esse aqui que é chato e cruel, e em Pasárgada, onde sou amigo do Rei, das fadas e dos gnomos. O senhor concorda que isso é um exagero?
-Claro, meu rapaz. Todos nós temos um lugar onde nos sentimos bem, e acolhidos. Vamos combinar assim. Você fica aqui comigo uns dias, só para sua família achar que está em tratamento, e depois você volta para Pasárgada.
-Está bem Doutor. Que bom que o senhor concorda comigo.
Os dias viraram meses, e a medicação fez efeito. Já de alta, foi despedir-se do psiquiatra.
-Doutor, já estou de saída. Quero lhe agradecer por sua ajuda.
-Não tem o que agradecer. Agora tenho a certeza de que você está pronto para voltar para sua casa, nesse mundo. Não é mesmo, Praxedes?
-Claro Doutor, esse negócio de dois mundos é coisa de gente maluca, pinel. Só existe um mundo.
-Então está certo. Espero que não precise retornar aqui nunca mais.
Terminada a despedida, dirigiu-se para a saída da clínica, onde um táxi já o aguardava.
-Bom dia moço, para onde o senhor quer ir? perguntou o taxista.
-Toca pra Pasárgada, respondeu o alienado Praxedes.