A testemunha

Pela fresta da porta, uma criança aterrorizada vê o padrasto tirar a vida da própria mãe, durante uma discussão. O assassino fugiu, e a garotinha, em choque, nunca mais falou – emudeceu com o trauma.

Anos depois, morando com os avós, quando voltava da escola, um homem a agarrou, e arrastou para um terreno baldio.

-Então você ficou muda sua pirralha, será mesmo? Eu devia ter feito o serviço completo naquele dia. Quando matei aquela vagabunda da sua mãe, deveria ter dado fim em você também, mas isso eu resolvo hoje.

Apavorada, a jovem reconheceu o assassino, e sem conseguir falar, tentou se desvencilhar do maldito.

-Vem cá sua putinha, até que você ficou bem bonitinha. Já que não fala mesmo, vou me divertir antes de acabar com você.

Quando o homem tentou tirar sua roupa, ela conseguiu se soltar com um chute, bem no meio das pernas do monstro, e saiu correndo.

-Vem cá sua vagabunda. Disse o pilantra, que começou a persegui-la.

No cruzamento de uma avenida movimentada, ela quase foi atropelada por um ônibus. A mesma sorte não teve o padrasto. Sobre as rodas do coletivo, ficou seu corpo estraçalhado.

Quando a jovem viu o que tinha acontecido, sentindo-se vingada, olhou para o corpo e disse:

-Vai queimar no inferno, seu desgraçado!

Depois de anos de medo e pavor, finalmente podia seguir a vida, deixando para trás o que tinha visto pela fresta daquela porta.

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