Todos os dias ele se sentava em um banco na pracinha, e ficava lendo seu jornal. Era um homem de meia idade, com boa aparência, bem vestido, barba branca bem cuidada – um homem de bem, acima de qualquer suspeita. Enquanto as crianças brincavam, suas mães vigiavam as crias.
Um dia, quando o homem do jornal chegou, havia apenas uma garotinha brincando com sua boneca. Ela tinha cachinhos loiros, como os de um anjo, e estava acompanhada de uma descuidada babá, mais preocupada com a conversa no celular, do que com a segurança da pequena.
Então, o senhor de barba branca, simpático como de costume, chamou a criança:
-Bom dia anjinho. Como você se chama?
-Gabriela.
-E a sua bonequinha, qual o nome dela?
-Essa aqui é a Marie.
-Oi Marie, será que você e a Gabriela aceitam comer um doce bem gostoso?
Inocentemente, a pequenina consentiu com a cabeça, pegou a Marie e saiu de mãos dadas com o novo amigo.
Na manhã seguinte, o corpo da menina foi encontrado em uma vala, ao lado de sua boneca. Naquele mesmo dia, no banco da pracinha, lá estava o homem de meia idade, com boa aparência, bem vestido, barba branca bem cuidada – um homem de bem, acima de qualquer suspeita.