Gina Catabriga

Santa Rita do Bom Amparo era uma daquelas cidadelas do interior, que adorava uma novidade. E foi assim que apareceu por lá uma tal Gina Catabriga, que de estranho não tinha só o nome – era magra feito um palito, usando óculos fundo de garrafa, e vestindo sempre o mesmo jaleco escuro.

Na Prefeitura, apresentou-se como a  gestora da Educação, indicada pelo  Governador. Para comprovar, abriu três pastas com títulos e mais títulos. Nem precisava, o chefe do Executivo a recebeu com pompas e circunstâncias.

De imediato, mandou chamar as diretoras das duas escolas da cidade, para lhes passar o novo modelo de ensino, que deveria ser adotado no município.

-Senhoras. Nossa Educação corre risco de morte. E sabem de quem é a culpa?

Assustadas, as diretoras acompanhavam boquiabertas a explicação.

-Dos chineses, que implantaram seus celulares mundo a fora, com o propósito de controlar as mentes de nossos alunos 

-Por isso, a partir de hoje, esses aparelhos estão proibidos nesta cidade. E como demostração exemplar, promoveremos o dia do “Queima Fones” em praça pública

A história correu como rastilho de pólvora e, em pouco tempo, o executivo e o legislativo já haviam comprado a ideia.

No dia previsto, de maneira estóica e triunfal, Gina entrou na praça, carregando a bandeira do Brasil em uma das mãos, e uma tocha na outra.

Ao aproximar-se da pira de celulares, puxou o hino nacional, à capela. Mas antes de entoar o último verso, uma ambulância entrou de sirene aberta pela praça, de onde desceram três enfermeiros, que imobilizaram Gina com uma camisa de força.

De fato, ela havia sido uma professora, mas que devido às suas ideias radicais, enlouqueceu e foi internada em uma clínica psiquiátrica.  Já havia fugido de lá outras vezes, inclusive havia feito algo parecido em outra cidade.

Enquanto era levada, a população estarrecida acompanhava a tresloucada professora vociferando

-Salvem as Professorinhas! Salvem as Professorinhas!

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