A consulta

No consultório, ansiosa e trêmula, a paciente aguarda o seu diagnóstico..

-E então Doutor, o que é que eu tenho? É grave? Tem cura?

-Calma Dona Sandra, tudo que a senhora não pode fazer agora, é ficar mais ansiosa do que já está. Vou lhe explicar o problema, e como vamos tratar.

-Então já vi que é coisa séria. Ai meu Deus, eu não posso morrer agora, tenho filho para criar Doutor..

-E quem disse que a senhora vai morrer? Se acalme que eu vou lhe explicar qual o seu problema.

-Tá vendo, o senhor está me preparando para o pior, não precisa dourar a pílula Doutor, quanto tempo ainda me resta?

-Dona Sandra, assim não consigo ajudar a senhora.

-Eu sei Doutor, eu vi na internet, pesquisei no Google, casos iguais ao meu levam a óbito, por isso o senhor está me enrolando.

-Olha só minha senhora, eu não estou enrolando ninguém, estou tentando lhe explicar o seu caso, mas a senhora parece que engoliu um rádio, e não me deixa falar.

-O quê? Com quem  o senhor pensa que está falando? Me tratando com esse desrespeito, meu marido é advogado e vai processá-lo por essa falta de educação.

-Me processar? respondeu o médico, nitidamente irritado.

-Olha só minha senhora, seu quadro é não ter quadro, ou seja, é uma hipocondríaca maluca, que não tem o que fazer e fica inventando histórias.

-Maluca? Mentirosa? Ah não, essa foi a gota d’água. O senhor ouvirá falar de mim novamente, só que no Tribunal.

E saiu batendo a porta, enxovalhando até a última geração de parentes mais distantes do pobre, e paciente médico.

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