O olho de Deus

J.B. Ferreira era o fotógrafo das celebridades. Uma foto sua estampada nas Redes Sociais, poderia custar uma pequena fortuna. Exibicionista, extravagante e perfeccionista – essa era sua personalidade. Ninguém nunca conheceu seu estúdio, montado na cobertura nos Jardins em São Paulo, onde morava.

Seus ensaios fotográficos eram feitos nos lugares mais charmosos e pitorescos, ao redor do mundo. Por esse motivo, estava constantemente cruzando fronteiras – colecionava vistos em seu passaporte, e vítimas na sua câmera. J.B. era um psicopata, um assassino em série. Sua fixação era o instante da morte. Em sua mente paranoide, somente o último sopro de vida seria capaz de produzir a foto perfeita. Por conta disso, deixou em cada país por onde passou, um corpo sem vida, e um crime sem solução.

Segundo a Psiquiatria forense, seu desvio de personalidade pode ser caracterizado como obsessivo-compulsivo, que é um transtorno caracterizado pelo perfeccionismo, preocupação com pequenos detalhes, prudência e rigidez excessiva.

Escolhia sempre prostitutas, bem jovens e brancas. As levava para um quarto de hotel, e as enforcava com um lençol, dizendo-se sádico. Quando percebiam, já era tarde. O assassino registrava seu último suspiro, antes da morte. No dia seguinte, enviava a foto para os jornais locais, assinando “O olho de Deus”. Desse modo, ganhou fama como “o criminoso da foto”.

Já contando mais de vinte crimes, era procurado pela Polícia Internacional, mas não haviam pistas que o ligassem aos crimes. Até que um dia, ao deixar a Bulgária, descobriu pelos noticiários que a Polícia Búlgara havia desvendado o mistério. Por um descuido, seu reflexo no espelho do quarto do hotel, acabou entregando sua identidade.

Ao desembarcar em Guarulhos, foi direto para o seu apartamento. Cuidadosamente,  arrumou as fotos das vítimas no chão da sala, amarrou sua mão ao disparador da câmera, e pulou da varanda, para registrar o último instantâneo do “olho de Deus”.

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