O dia em que padre Dito chegou em sua nova paróquia, a primeira impressão foi de estranhamento. Afinal, em uma cidade onde a maioria dos habitantes eram descendentes de europeus, receber um pároco que não falava italiano ou alemão, era algo inédito – padre Franz, que trabalhou lá por mais de 20 anos, era eslavo. Mas além da língua, sua aparência também chocou.
– Um padre índio? Será que isso vai dar certo? Se perguntavam as beatas da cidade.
Passado o impacto da chegada, rapidamente conquistou o coração dos paroquianos, e também dos protestantes e pentecostais, isso porque Dito cativava a todos com seu carisma, e bom humor. Mas sua grande obra era com os miúdos, como gostava de chamá-los. Fazia questão de tê-los sempre por perto, até mesmo nas celebrações – a benção final era sempre dada com os pequenos junto dele no altar.
Até que um dia, homens encapuzados saíram de dentro de um carro, e tiraram sua vida em frente à casa paroquial. A comunidade ficou em polvorosa.
– Como assim?
– Quem faria isso com um homem santo, que só fazia o bem?
Suas exéquias movimentaram a cidade. Padres das redondezas, e até o Bispo compareceram ao seu sepultamento. Mas restava uma dolorosa pergunta:
– Por que mataram o padre Dito?
As autoridades capturaram os assassinos, e o mistério foi então desvendado. Em sua última missão, o pároco ajudou a Polícia Federal a desmantelar um cartel de grilagem de terras, que usurpou e matou muitos inocentes no norte do país. Como consequência de sua corajosa atitude, foi jurado de morte pelos mesmos homens que ajudou a prender.
Ainda que tendo a prerrogativa de ser transferido para outro país, ou mesmo ter uma escolta para protegê-lo, fez a opção de seguir seu ministério, tendo como único guia e protetor Nosso Senhor Jesus Cristo. Agora estava junto do Pai, no lugar reservado a um homem (bem)Dito, como ele sempre o foi.