Dona Gertrudes tinha fama de ser bruxa. Morava sozinha n’uma casa, no fim da rua. De companhia, somente seus gatos – todos pretos. Os vizinhos comentavam que nas noites de sexta-feira, era possível ouvir gritos e uivos vindos de lá. Outros diziam que ela tinha um enorme caldeirão no meio do quintal.
Um dia, Joãozinho, o moleque mais esperto da rua, cismou de tirar à prova essa história de bruxaria. Todo cheio de si, o valentão bateu na porta.
– O que você quer aqui garoto? – respondeu Gertrudes, abrindo a porta com cara de poucos amigos
– Oi dona bruxa, quer dizer, Dona Gertrudes, eu estava precisando de um favorzinho da senhora.
– Oh menino abusado, eu não tenho nada para você não. Chispa daqui.
– Não Dona Bruxa, é coisa pouca!
– Fala rápido então.
– É que minha pipa caiu no seu quintal, será que eu posso ir lá pegar?
– Tá bom moleque, vai lá mas não demora, hein?
Mais do que depressa, o garoto entrou correndo, e foi mexendo em tudo que via pela frente. Na cristaleira, na mesa da cozinha, até o rabo do gato ele puxou. Quando chegou no quintal, ficou decepcionado. Não tinha nada lá.
Então, Dona Gertrudes apareceu, e perguntou:
– Achou o que estava procurando, moleque?
– Na verdade não, Dona Bruxa.
– Ah tá, deve ser porque está ali no quartinho. Vai lá dar uma olhada.
Quando Joãozinho abriu a porta, levou o maior susto. Havia um enorme caldeirão fumegante lá dentro. Foi aí que a bruxa entrou, trancou a porta , e disse para o menino, que já estava todo mijado de medo.
– Eu estava só esperando você chegar, para terminar meu jantar.
E n’um golpe só, jogou o atrevido dentro do caldeirão.