Acerto de contas

Retornando da viagem, chego em casa e abro a caixa de correio – está vazia. Subo as escadas, coloco a chave na porta, mas ela estava destrancada. Giro a maçaneta, e levo um baita susto – sentado no sofá da sala, baforando seu cigarro, lá estava ele:

– Você? Aqui? Mas como?

– Qual o motivo da surpresa? E por que não deveria estar?

– Porque deixei você lá, morto e enterrado.

Assustada, acendo as luzes. Minhas mãos suam frio, meu coração está acelerado e meu corpo estremecido.

-Meu Deus!! O que está acontecendo?

Então ele se levanta, e vem em minha direção com o dedo em riste:

– Chega dessa lengalenga! Eu nunca vou deixar você em paz. Será que não entendeu isso ainda?

Desesperada, começo a gritar pedindo socorro, enquanto as lágrimas escorrem do meu rosto.

– O que você quer de mim, seu desgraçado?

– O que eu quero? Responde gargalhando. – Cobrar a sua fatura, e olha que ela está bem recheada. Você achou mesmo que ia escapar ilesa? Impune?

– Eu não fiz nada. Sou inocente! Respondo assustada.

– Ora minha querida, pra cima de moi? Sou sua melhor e pior parte, e agora chegou o momento de acertarmos os ponteiros.

– Não!! Eu deixei você pra trás! Quando fugi daquele lugar, passei uma borracha em tudo que tinha feito.

– Ninguém foge do próprio passado, menina. Ele sempre torna a voltar. Anda, olha em volta!

Caído no chão, vejo um corpo ensanguentado. Me aproximo. O corpo inerte, e morto, era o meu.

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