-Considere-se preso, ô elemento.
Dizia o truculento policial, enquanto enquadrava Betão no artigo 334 do Código Penal.
-Mais seu guarda, isso aqui é tudo legalizado.
-Tá de onda ô meliante. Isso aqui é muamba do Paraguai.
-Tä vendo seu guarda. O senhor está cometendo uma injustiça. Deus me livre comprar minhas mercadorias no Paraguai. É tudo legal, comprado em São Paulo, de um fornecedor limpeza. O Senhor Hang.
-Ah é engraçadinho? Então cadê as notas fiscais?
-Eu mostro pro senhor, mas vamos fazer um trato. Se eu mostrar os papeis, o senhor me livra da cana?
– Se estiver tudo certo, sim.
Então, o policial tirou as algemas, e Betão pegou um punhado de papeis, no fundo da bolsa.
-Toma seu guarda. Tá tudo aqui. Como disse, o Hang é muito honesto.
Quando o policial pegou a papelada, levou o maior susto.
-Você tá me sacaneando, ô pilantra. Isso aqui tá tudo escrito em chinês.
-De forma alguma autoridade. O senhor me pediu as notas fiscais, eu falei que o chinês era ponta firme, agora, em momento algum o senhor falou que tinha que estar escrito em brasileiro.
– Como o que é tratado não sai caro, o senhor me dá licença, que eu tô pulando fora.
E antes que o policial pudesse tomar qualquer atitude, Betão sumiu no trecho, junto com suas mercadorias do chinês.