Aquela era uma típica cidade do interior, onde o tempo passava ao som das rodas dos carros-de-boi. Certo dia, o lugarejo acordou com uma novidade: cidades com menos de dois mil habitantes seriam apagadas do mapa, e Santa Cruz dos Desterrados possuía 1.999 municípes bem contados.
De repente, a fazenda do Zé Olinto sumiu, com gado, gente e porteira fechada. Em outra manhã, a venda do Anastácio não estava mais lá. Nem praça, escola, Prefeitura ou adro da Matriz. Tudo foi desaparecendo. Com uma semana, já não existia mais nada.
Reza a lenda que aquelas almas ficaram vagando pela região, n’uma procissão de mortos-vivos, batendo de porta em porta, perguntando onde estava a casa deles.