Todo fim de tarde era a mesma coisa – ele pegava seu pito e avisava:
-Doca, vo rezá!
-Tá bom Zé, respondia a companheira.
Então, se sentava no rancho, acendia o pito e ficava reparando. Enquanto o Sol ia se deitar, e a noite vinha nascendo, colorindo o céu de vermelho, rezava sua Ave Maria.
Um dia, perguntaram-lhe porque não rezava na Igreja? Ao que sabiamente respondeu.
-Ara, porque no rancho eu tô perto das água do rio, das criatura do mato, dos encantado, das obra de Deus. Os antigo falava que as seis da noite, os anjo, os santo e os encantado tudo se junta pra reza pra Maria. Uai, quer lugar meior que esse, sô?
Só que um dia, Zé foi pro rancho e não voltou. Virou um encantado, e se juntou ao povo celeste que reza para Nossa Senhora ao anoitecer.