Sítio do Picapau Amarelo

Seu Anastácio era conhecido na vila como um grande contador de causos, mas também um bom mentiroso, que se gabava de ter amizade com todas as criaturas da mata.

Um dia, os agentes do Programa Saúde da Família foram visitá-lo, para ver como andava sua saúde. Chegando na tapera simples onde morava, começaram o atendimento quando, de repente, um moleque aparece na janela:

-Bença Tio Anastácio.

-Deus te abençoe, meu fio.

Curioso, o médico pergunta:

-Não sabia que o senhor tinha sobrinho, Seu Anastácio.

-Tenho não Dotor. Sô sozinho nesse mundo. Eu, meu Pai Oxóssi e meus amigo da mata.

Com cara de deboche, o.medico apenas riu de lado.

-Tio, o qui que eles tão fazeno com ocê?

-Nada não fio, precisa percupa não.

-Tio, posso pegá seu fogo prá acendê meu pito?

-Pode fio, pega ali no fogão de lenha.

Então o médico, a enfermeira e a agente comunitária levaram o maior susto. Entrou pela porta um moleque de xort, sem camisa, com uma perna só, um cachimbo n’uma mão, e um gorro vermelho na outra. Pegou a brasa, acendeu o cachimbo, e saiu pitando.

-Intão bença Tio. Ah Tio, o Tatá mandô avisá que despois que iscurecê, ele vem cá proseá com o sinhô.

-Tá bão fio, vem ocê tumem. Respondeu o velho Anastácio.

De queixo caído, e tremendo de medo, o médico encerrou o atendimento, e caiu no trecho junto com sua equipe, antes que aparecesse por ali mais algum personagem do Sítio do Pica-pau Amarelo.

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