O escritor

Temístocles era um homem estranho. Morava sozinho, e sua única companhia era Boris, seu doberman albino. Os vizinhos sabiam pouco sobre ele, apenas que tinha chegado no bairro há pouco, e que escrevia histórias.

Então, crimes violentos começaram a acontecer na região. O primeiro foi o sumiço de Dona Tereza, a proprietária do bar mais badalado da região. Três dias depois, metade do seu corpo foi encontrado carbonizado em uma mata. A outra parte, do quadril para baixo, sumiu.

Logo depois, Maria Angélica, uma jovem que trabalhava como babá para os Macedo, saiu do serviço, e não chegou em casa. Foi achada nua em um aterro, com sinais de violência sexual, e sem os braços.

Na semana seguinte, Leonora, uma prostituta famosa da área, foi esquartejada em um beco. Apenas cabeça e membros restaram, o tórax não estava junto do corpo.

E o caso mais recente foi o da jovem Priscila, uma adolescente de apenas 15 anos, que foi vista entrando em um carro, quando saía da escola. Seu corpo foi localizado boiando, no açude do bairro, sem a cabeça.

Foi então que os policiais começaram a desvendar o mistério. Uma câmera de segurança registrou a placa do carro que levou a jovem, e assim puderam localizar o proprietário – Temístocles, que fugiu com Boris, antes deles chegarem ao seu endereço.

No interior da casa, encontraram um verdadeiro circo dos horrores. Na porta de um dos quartos, uma placa anunciava – Casa da Redenção. Dentro do cômodo, um cheiro forte e desagradável já denunciava o que iriam encontrar – as partes das vítimas, costuradas como se fossem um novo corpo, trajando um vestido de noiva. Sobre a escrivaninha, os capítulos do que parecia ser um livro, traziam a macabra explicação para cada um dos crimes cometidos: Capítulo 1 – Cafetina / Capítulo 2 – Sugarbaby / Capítulo 3 – Meretriz / Capítulo 4 – Minha Virgem.  O título da obra? A donzela perfeita.

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