Já a muito tempo atrás, ele havia descoberto que através da palavra escrita, conseguiria lidar com o que não era capaz de resolver falando.
Escreveu, ressignifcou, criou personagens que, por vezes, eram seu próprio alter ego. Seus escritos já somavam mais de mil páginas, e contando.
Até que um dia, uma visita indesejada bateu à sua porta – a depressão. Essa intrusa pareceu revirá-lo do avesso, jogá-lo contra a parede, apagando todas as linhas que já tinha escrito, até então.
Naquela noite, acordou assustado. Sua cama parecia estar cercada pelos fantasmas e demônios, que tanto lutou para combater, e esconder dentro de suas histórias.
O último boletim médico dizia que seu quadro era crônico, e irreversível.
Diagnóstico: Esquizofrenia hebefrênica. Prognóstico – Paciente sem previsão de alta hospitalar