Lei de Talião

Antônio Puranga era o maior exterminador de animais da vila. De rato, cachorro a maritaca, mas sua especialidade eram os gatos. Sua vilania com os felinos era tanta, que beirava o sadismo. Do veneno tradicional, ao caco de vidro moído, e eletrochoque. Mas gostava mesmo era do porrete. Pegava uma ninhada inteira de filhotes, colocava no saco, pendurava na mangueira, e batia até ficarem aos pedaços. No final, tocava no saco preto, e jogava no ribeirão.

Só que um dia, alguém pior do que ele entrou em sua casa, e encheu sua cabeça de cacete na calada da noite. Depois, deixou o corpo no quintal para feder. Como carpideiras desse velório maldito, mais de 30 bichanos miaram ao lado do corpo a noite inteira, até o sol nascer. Os mesmos que por ele foram espancados e despedaçados, cuidaram das exéquias do infeliz. Fica então a dúvida – quem será mais humano nessa história?

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