Naquela manhã, acordou mais cedo, despediu-se de todos e saiu. O sol já enchia o céu, e a umidade fazia o corpo chorar. Desceu a viela em sentido à saída da cidade, e parou sobre a ponte do Rio Catanduva. Debruçou-se no parapeito, e ficou observando o movimento das águas, embalado pela forte correnteza que arrebentava sobre as pedras nas corredeiras. Sempre sentiu, se fascinado por aquele lugar – a rudeza das correntezas, em contraponto com a beleza da região, o fascinava. De repente, todo aquele calor abrasador foi interrompido por uma brisa suave e refrescante. Foi como se o mundo inteiro tivesse parado. Então, naquela paz interminável, começou a recordar- infância, juventude até o dia em que sua vida perdeu totalmente o sentido. O movimento das águas no leito parecia convidá-lo a se juntar ao fundo. Três dias depois, seu corpo foi encontrado agarrado a uma galhada, quilômetros abaixo da Ponte do Rio Catanduva.