Porta trancada

Carolina viva em uma relação tóxica. Não sofria violência física, até tinha lampejos de felicidade, mas a bem da verdade seu casamento era do tipo perde-perde, e nesse caso a perdedora era sempre ela.

Heitor provia as necessidades da casa, mas não as da esposa. Sempre que chegava em casa cansado do serviço, ou do futebol, nunca reparava no agrado da comida preferida, no presente de Dia dos Namorados, nem mesmo no dia em que lhe prepararam um jantar romântico, com direito a lingerie nova, e perfume importado. Era final de Campeonato, e o Flamengo estava na decisão.

Mas em sua cabeça machista estava tudo certo. Viviam em uma boa casa, viajavam de férias para a praia. O que mais uma esposa poderia desejar?

Até que um dia, encontrou a porta fechada, e a casa vazia. Carolina, finalmente, trancou seu coração para Heitor, e jogou a chave fora.

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