Natanael era um sujeito esquisito. Alto, com o rosto marcado de cicatrizes, nariz aquilineo, e braços curtos. Mas apesar da aparência sombria, exercia um estranho fascínio sobre as pessoas – quem dele se aproximava, sentia uma vontade incontrolável de contar suas histórias, para logo em seguida perder a cor, e o brilho.
Como um predador faminto, não tinha paradeiro fixo. Andava de cidade em cidade, à procura de novas lembranças.
Até que um dia, depois de consumir todo um povoado, seu corpo começou a regurgitar memórias, e explodiu como se fosse uma bola de soprar.
Então, o céu encheu-se de letras, que formaram histórias, e saíram numa revoada desesperada, à procura de suas personagens, que voltaram, assim, a ter cor e vida, como que num passe de mágica.