Missa de Finados

Chego em casa apressada, deixo as roupas e calçados do lado de fora, e vou direto para o chuveiro. Minha avó sempre dizia para fazer isso, quando voltasse do cemitério.
No meio do banho, o telefone da sala toca. Me enrolo na toalha, e vou atender:
-Alô?
Do outro lado nenhuma resposta, apenas o som de uma respiração. Desligo. Certamente é um trote. Termino meu banho, e vou para cozinha arrumar meu café. O telefone toca de novo:
-Alô? Dessa vez ouço uma resposta.
-Sou eu, meu amor!
De repente, o aparelho de som liga sozinho, e toca nossa música preferida.
-Não pode ser você. Deixei uma rosa na sua lápide, agora há pouco.
Desligo assustada. Quem estaria brincando comigo? E toca outra vez:
-Que palhaçada é essa? Atendo irritada.
Então, a tela do computador acende, e nela aparece a palavra – SAUDADE. Do outro lado da linha, a voz responde:
-Meu amor, por que está me tratando assim?
-Isso não é possível. Respondo com os olhos marejados.
Meu celular vibra, e surge um SMS, cheio de emojis de coração.
-Onde você está? O que está acontecendo? Pergunto angustiada.
-Estou aqui.
Ouço a maçaneta da porta girar, e ela se abre…

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