Ascânio era funcionário de uma universidade. Lá Ingressou como continuo, e hoje orgulhava-se de ser o porteiro do gabinete, com 40 anos de serviço recentemente completados.
Com tempo mais do que suficiente para se aposentar, preferiu manter sua rotina – primeiro a chegar e o último a sair, com seu velho terninho cinza, e um sorriso estampado no rosto.
Então, chegou a comemoração da véspera do Natal. Terminada a troca de presentes e os salgadinhos, todos foram embora, aproveitar o recesso administrativo, menos ele. Passadas as festividades natalinas, a segurança foi acionada por conta de um forte cheiro vindo do gabinete – era Ascânio que foi encontrado caído sobre a mesa, que ele tinha tanto orgulho de ocupar. Sem família ou parentes conhecidos viveu e morreu por aquele lugar.
-Ficou sabendo do velho que bateu as botas no gabinete do Reitor?
-O da portaria? Fiquei sim, mas era Ascânio de que mesmo?