Era pra ser mais uma manhã de sábado. Maria acendeu a casa com o cheiro do café. Ricardinho, o caçula de seis, e mais matreiro dos filhos, tratou logo de pular da cama, pegou um pão na cozinha, e se despediu da mãe com um beijo melado de margarina.
Enquanto cuidava dos afazeres, entre uma panela e a roupa no varal, a vizinha grita anunciando a tragédia:
-Maria, corre aqui que machucaram seu filho!
Em disparada, ela chega no escadão e encontra o corpo do filho ensanguentado.
Uma bala perdida havia encontrado Ricardinho. Naquele dia, quem morreu foi Maria.