Miguel Martins Dias
Às vezes acho que trocaram meu coração por um motor, e o meu cérebro por uma turbina. A única coisa que importa são os próximos dez segundos, só tenho esse tempo para ficar em primeiro. A bordo de um “supra” laranja, só escuto o motor, o escape e a turbina.
Rachas para nós são como uma partida de futebol – um vencedor e um perdedor – e eu não posso perder; e não é pelo dinheiro em jogo, e sim pelo fato de ser a única coisa que eu sei fazer de melhor.
Tipo assim, nos reunimos depois da meia noite, e aceleramos como se não houvesse amanhã, pois a coisa melhor do mundo é ouvir o barulho da turbina, quando tiramos o pé do acelerador por três milesimos de segundos, e cada troca de marcha é uma melodia que sobe para meus ouvidos
Ás vezes eu preciso fugir de mim mesmo, preciso fazer só o que me faz bem. Talvez isso um dia me mate, mas… eu amo isso, essa vida…
Dentro do 2JZ, a mais de 100km, eu nem sei se eu vou bater, junto dos meus irmãos. A mais de 300km eu não enxergo nada, tô na contramão deixando tudo de lado – os problemas? Eu não ligo não. Essa mina do meu lado segurando a minha mão, passo a terceira, a quarta, a quinta. Clico no botão do sistema NOS que faz o meu carro voar. Não vejo mais nada, só escuto o som do motor, do escape e do turbinão.
Vejo uma curva, jogo a terceira e puxo o freio de mão, bombando o acelerador pneus gritando… Drift. Meus irmãos vindo a milhão olham e falam: esse moleque tem o dom!
Me perdi nessas curvas, não consigo mais me achar. Juro que até tentei parar, mas eu não consigo. 700 cavalos, essa noite eu vou acelerar, e se a policia brotar ativo meu nitro. O Mazda vai cortando giro, e queimando asfalto, meu carro tá no chão e o meu Deus lá no alto. Se eu tomar esse enquadro, com certeza vou em cana, mas se eu ganhar esse racha levo a mina pra cama.
O mundo JDM não é para qualquer um não. Você não tem que ser só veloz, tem quer ser um verdadeiro Gearhead, tem que estar em sintonia com o seu carro a todo momento. Você e seu carro juntos em um só, cada marcha é um passo para a vitória
A sigla JDM significa Japanese Domestic Market, mais isso é muito mais do que uma sigla. Para nós é um estilo de vida, de personalização da cultura Gearhead, baseado nas influências japonesas.
O sonho de todo Gearhead é morar no Japão, pois lá é o paraíso automotivo, onde você encontra peças de performance, customisação, nitro e diverssas outras coisas que você não encontra em nenhum outro país facilmente. Os carros de lá são o sonho de qualquer um que goste de JDM, desde os mais conhecidos como Supra, Skyline, Mazda e Silvia a um bom e velho Toyota AE86, ou o Nissan ALSI-1.
Ser um Gearhead não é só gostar de carros, mas ser fanático pelos motores. Sua cabeça funciona 24h por dia pensando em carros; tudo que ele faz ou fala tem algum sentido relacionado com o mundo automotivo. Seu melhor amigo é o seu carro, não importando quantos ele tenha – todos serão seus melhores amigos. Quando algo dá errado em sua vida, ele sai para acelerar; quando ele está feliz, sai para acelerar; quando está cansado, sai para acelerar. Tudo se resume a carros e velocidade.
Drift é uma arte criada pelo piloto japonês Kunimitsu Takahashi, em 1970, que ficou famoso ao entrar nas curvas em alta velocidade fazendo seu carro deslizar, saindo dela com mais velocidade do que o normal. Mas quem é conhecido como o Drift King (Rei do Drift) é o japonês Keiichi Tsuchiya. Ele ficou conhecido por treinar, e aprimorar as técnicas do Takahashi, dirigindo um Toyota AE86 Sprinter Trueno, ganhando assim diversas corridas usando a técnica Drift.
Meu mundo se resume a carros, tunagens e irmãos que apreciam e amam este mundo, tanto quanto eu. No nosso mundo nossos Deuses são os: velozes e furiosos Takahashi e Tsuchiya, e nossos melhores amigos são os carros. Uma frase que resume um Gearhead é: Se um dia a velocidade me matar, não chore. Saiba que eu morri sorrindo – Paul Walker