Thaynara Costa Octaviano Correa
Parece que vai chover! Ouvi no jornal que iria cair uma tempestade essa noite. Vou colocar mais cobertores para dormir sossegada.
No meio da noite acordo com meu cão fazendo barulhos na porta do meu quarto. Parece que ele quer sair, então me levanto para levá-lo para fora de casa. Os seus olhos estão arregalados e ele está estranho, seu corpo está tremendo. Está muito assustado. Fico preocupada, mas quero acreditar que seja apenas vontade de ir no quintal.
Quando abro a porta, ele late e sai correndo, desaparecendo em meio à escuridão. A chuva está fraca; talvez continue assim até o amanhecer. Vou à cozinha e preparo um café. Estou bebendo aquele líquido quente e delicioso, enquanto caminho de volta para o meu quarto. Ao passar perto da escada do porão, vejo que há uma luz acesa. Fico curiosa, me aproximo e vejo que a porta estava aberta. Mas não costumo deixá-la destrancada.
Quando chego perto, vejo pegadas de barro – essas pegadas estavam indo para dentro da minha casa. Fico assustada, mas ignoro. Fecho a porta e vou para o meu quarto.
Quando estou subindo as escadas, sinto um calafrio. A temperatura havia caído rapidamente. Por conta disso, largo a xícara com o café que cai derramada na escada. Vou buscar um pano na cozinha para limpar a bagunça. Chego na escada, e me abaixo para limpar o chão. Neste momento, noto que não estou sozinha em casa, havia uma sombra que me observava, escondida no fim do corredor.
Estava escuro, e eu não tinha coragem de acender a luz para ver quem era. Logo depois, veio um relâmpago que iluminou todo o corredor, e vi que se tratava de meu irmão. Fico assustada. Era impossível, não tinha como ser ele! O seu comportamento estava diferente. Antes mesmo de eu pensar, ele corre em minha direção.
Para me defender, subo as escadas rapidamente, mas ele agarra meu pé e eu caio no chão. Ele estava em cima de mim, tentando me enforcar, e seus olhos estavam diferentes. Não era o meu irmão, mas algo igual a ele!
Chuto e ele cai, assim consigo correr para a cozinha. Pego uma faca, e ele vem rapidamente em minha direção e eu o acerto no estômago. Aquela coisa olha para a faca em sua barriga, enquanto caía sangue, e calmamente a puxa de seu estômago, jogando para longe como se nada tivesse acontecido.
Ele agarra meu pescoço, me deixando sem ar e sem forças. Pego um garfo que estava perto de mim, e enfio em seu olho. Só assim aquilo me larga, então corro para o banheiro e tranco a porta.
Está escuro, e não tenho para onde ir. Estou preocupada e morrendo de medo. Aquilo que está dentro do corpo do meu irmão, quer me matar por algum motivo!
Então ele começa a bater na porta, usando seu próprio corpo. Fica fazendo isso várias vezes, até que para. Olho pela fresta e vejo que está lá parado. Ele sai, demora alguns segundos e volta novamente.
Eu estava encostada na porta, para que ela aguentasse as pancadas. Então, ele estoura a porta com um machado, fazendo um buraco por onde enfia sua cabeça. Ele me encara com um olhar de ódio, e acaba de quebrar o resto da porta – ele vai me matar! Aquilo não era o meu irmão, não podia ser.
Faziam apenas seis dias que eu mesma o havia matado, e enterrado seu corpo no quintal!