“Bancada da educação sofre baque em eleições e busca salvar pautas até janeiro”

Princípio do Fim? Novo recomeço? Como interpretar essa manchete que foi retirada da CNN Brasil, e aponta que dos atuais 20 membros da bancada no Congresso Nacional, apenas 9 conseguiram se reeleger? Em especial nessa semana, onde o tema Educação veio à baila no primeiro debate dos candidatos à Presidência da República e expôs duas visões antagônicas sobre o assunto – de um lado o cuidado em dividir com Estados e Municípios a responsabilidade pela recuperação das perdas de aprendizagem, de outro conferindo a um aplicativo pedagógico essa mesma tarefa – só posso dizer aquilo que já defendo há algum tempo em minhas Redes Sociais: “Educação é pra quem conhece”!

Por isso, necessário se faz esclarecer e qualificar os responsáveis. Vamos falar primeiro do Poder Legislativo, foco da matéria citada pelo veículo de comunicação. Sabido é que no Congresso Nacional que se asseguram os direitos, e a viabilização dos recursos para o fomento à Educação – o Novo Fundeb é uma conquista recente que só aconteceu graças ao trabalho legislativo. Sendo assim, o esvaziamento da Bancada é um problema real, pois isso certamente irá ter reflexo na construção, e na viabilização de novas Políticas Educacionais, na próxima legislatura. Além disso, essa resposta das urnas sinaliza o que já era sabido – a Educação não é uma pauta de prestígio na Política, infelizmente. E isso explicaria, em parte, o insucesso dos parlamentares que não conseguiram novo mandato.

Falando agora do Poder Executivo, temos aqui o maior desafio à construção de um projeto educacional brasileiro que tenha equidade, qualidade e continuidade. Isso porque, via de regra, para nossos mandatários essa é uma “despesa” amarga e desnecessária, já que não se converte em votos nas urnas (como ficou demonstrado nas últimas eleições para as Casas Legislativas). Não por menos, ela acaba virando apêndice de Programa de Governo, e moeda para favorecimento político e acochambro de interesses pouco republicanos, ao invés de privilegiar a competência, a experiência e o comprometimento com a formação de nossas crianças e jovens.

E o resultado cruel desse desprestígio e falta de cuidado é uma Educação Pública em avançado processo de desmonte, mas principalmente a Educação Básica – o filho manco que a “família” faz questão de esconder por conta de suas debilidades, que na prática tem uma série histórica de resultados ruins muito mais pela negligência, falta de investimento e visão de futuro, do que por conta das “perdas” acarretadas pelos dois anos de isolamento (os obstáculos que a Pandemia de Covid-19 trouxe só fizeram cronificar um quadro que já era ruim).

Por esse motivo é justa a preocupação dos parlamentares com uma Bancada enfraquecida, bem como é necessário destacar a diferença de importância que as proposições que um e outro candidatos dão ao tema “Educação” em suas proposições. Só que vou além – Deputados sejam eles Estaduais ou Federais, bem como Governadores ou Presidente da República, em sua maioria, não são educadores, nem tampouco foram gestores educacionais, então suas propostas são baseadas em um Projeto construído por assessores, na maioria das vezes teóricos educacionais, doutores em teses sem a menor ressonância com o dia-a-dia, e os problemas das escolas. Quem nunca pisou num chão de escola – pública ou privada – não pode se dizer especialista em Educação.

“Educação é pra quem conhece” não é apenas um mote de campanha, nem tampouco uma frase de efeito para impressionar seguidores de redes sociais. Defendo essa ideia já há alguns anos por acreditar que ela responde boa parte das indagações que levantei durante a construção desse artigo, pois tem como premissa quatro pilares inegociáveis, e interligados: Respeito sempre e por todos/ Resultado como um projeto de longo prazo, e não baseado somente em indicadores/ Transparência nas ações, nos projetos e nas posturas e, o mais importante deles, a Competência, que não pode ser baseada em apadrinhamento político, nem tampouco se pautar em ilustração curricular ou láureas, pois para transformar a Educação não basta saber, tem que saber fazer, e fazer para todos.

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