Sobre a Relativização das coisas: quando parecer não significa ser

Desde o Princípio da Relatividade de Galileu, até o Relativismo da Filosofia, a existência de verdades absolutas já era questionada, e isso deveria ser um senso comum para todos – tudo depende do ponto de vista, do contexto ou da intenção de quem produz a análise. Infelizmente, na nossa vida em sociedade o que se vê é exatamente o oposto disso – somos a todo momento bombardeados por absolutismos textuais ou estatísticos.

E por falar em dados estatísticos, já há alguns anos que venho me dedicando ao questionável prazer de analisar séries históricas relacionadas à Educação – em especial os indicadores oficiais de proficiência e aprendizagem como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB e do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica – Saeb. E posso afirmar, com uma certeza “relativa”, de que aquilo que prenunciei na abertura desse Artigo, é o que na maioria das vezes vêm ocorrendo.

Por esses dias, acompanhando a polêmica sobre a divulgação dos números do IDEB 2021, onde se “afirmava” que o resultado aquém do esperado nas competências de Língua Portuguesa e Matemática eram consequência das “perdas” ocasionadas pela Pandemia – em especial na fase de alfabetização e letramento – me lembrei de que os indicadores de 2019 já não eram alvissareiros, e que, portanto, estudiosos sérios (e de gosto duvidoso como o meu por análise de séries históricas) já pediam cautela nessas conclusões.

Mas esse não é um problema exclusivo dos pesquisadores da área da Educação. Estando há menos de uma semana das Eleições Gerais, que irão definir os novos mandatários de nosso país, e os representantes das Casas Legislativas, o problema da relativização de números e discursos se torna mais evidente ainda. Basta ver das pesquisas de intenção de voto (que como o próprio nome diz não têm nada de absoluto) até os discursos inflamados e inflamatórios que surgem nas Redes Sociais – o novo espaço do qual os candidatos se apropriaram para fazer Campanha – para perceber que cautela e caldo de galinha são mais do que nunca recomendados.

De Padre que não é Padre, a Mito que não é Santo, encontramos de tudo e mais um pouco sendo veiculado como verdades absolutas (ou absolutistas e redentoras – Salve Dom Sebastião, o Encoberto) nesse espaço ideologizado, onde os mais humildes, mas também os letrados e abonados, são “levados” a acreditar em cantilenas salvacionistas que a lógica nos mostra serem tão consistentes, quanto o ar engarrafado.

Já disse aqui nesse mesmo espaço, mas acho necessário repetir, que a Política não é a vilã, nem a culpada pelos infortúnios da nação. Da mesma forma que nem todo político é corrupto e desonesto. Contudo, existe uma tal de Mosca Azul (ou Vespa Cerúlea como gosto de chamar), que faz toda a diferença nesse ambiente, onde a vaidade e a cobiça fazem morada e, por isso, podem levar à bancarrota “fichas limpas e imaculadas”.

Portanto, relativize tudo. Não se deixe levar por rostos bonitos, ou falas arrebatadoras e bombásticas. Não basta parecer honesto e confiável, há que ser e, mais do isso, ter compostura e respeito pelo cargo que almeja ocupar, pela instituição que pretende representar e, principalmente, pelo povo brasileiro que lhe dará no próximo dia 02 de outubro mais um voto em confiança, na esperança de que, assim, o Brasil encontrará a mudança que tanto ele deseja ver acontecer.

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