Sobre o dia da Família na Escola

Se você tem filho em idade escolar (especialmente na Escola Pública) já deve ter ouvido falar sobre o “Dia da Família na Escola”, uma proposição feita pelo Ministério da Educação, em 2001, para divulgar os resultados positivos do Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB aos pais que acompanhavam o desenvolvimento dos filhos.

Essa semana, quando alertava minha turma para essa comemoração, fui surpreendido pela pergunta de um aluno que me deixou sem ação e sem resposta, e motivou a escrita desse Artigo: – Mais Professor, e se meus pais não quiserem vir? Para conseguir responder a essa espinhosa indagação, tenho que primeiro levantar uma outra questão: será que a máxima “Escola ensina e família educa” é mesmo verdadeira?

É fato que a Educação vive hoje uma séria crise de credibilidade no país, coisa que nos meus tempos de outrora, quando frequentei o Grupo Escolar Francisco Bernardino e o “Estadual Patrus de Souza” era inconcebível – até porque esses eram o destino certo de qualquer um que não fosse filho das castas superiores (alunos das tradicionais escolas confessionais da cidade). Inclusive, nessa mesma época, ainda não existia o advento da “Família na Escola”, mas, sem sombra de dúvidas ela lá estava sempre (mesmo sem ser chamada) participando da vida dos estudantes, e das decisões da unidade escolar. O que não ocorre hoje, infelizmente.

Rubem Alves sempre me lembra que existem escolas que são “Gaiolas” e escolas que são “Asas”, e fazendo uma paráfrase dessa bela metáfora, digo que existem escolas que são “Estacionamento de alunos”, enquanto outras são de “salto em queda livre” (sem paraquedas).

E assim sou obrigado a concordar com meu impertinente aprendiz, pois, há pais “Manobristas” (que deixam os filhos na “vaga” no início do turno, e voltam para buscar no final), e os da “antiga” (bem poucos) que são os verdadeiros Amigos da Escola. Essa é uma realidade tanto nas Escolas Particulares, quanto nas Públicas.

Não cabe a mim julgar, ou definir a forma como os filhos dos outros devam ser criados, mas enquanto Professor posso afirmar que sempre que é marcada uma Reunião de Pais, os que comparecem são sempre os mesmos – os “Amigos da Escola”. Enquanto isso, os “Manobristas” (que são a grande maioria), estão sempre muito ocupados para voltar ao Estacionamento fora do horário previsto.

Então, quando se dão conta, a “vaca já foi pro brejo” e nesse momento tudo é motivo para justificar o problema – a Pandemia, a falta de infraestrutura da Escola, o currículo e até o Professor. Só esquecem de falar que sua criança/jovem ficou esquecida no Estacionamento.

Mas para ser justo, a Escola é corresponsável sim por essa morte anunciada, pois ao invés de ser “Asas”, ela muitas vezes solta os alunos em um voo cego, e queda livre, isso porque é mais fácil não ver a criança abusada, ou depressiva, do que oferecer ajuda, já que esse ‘problema não é seu (Escola), mas do outro (Família), portanto, não lhe cabe resolver (manda para o Conselho Tutelar), afinal, sua obrigação é apenas “Ensinar”, não é mesmo?

Faço aqui, por fim, uma nova proposição: que além do dia da “Família na Escola”, as autoridades competentes também promulguem o dia da “Escola na Família”, pois, quem sabe assim, eu possa vir a  ter uma resposta pronta para alunos impertinentes como o meu.

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