Floresça onde Deus te plantar!

Outro dia um homem muito sábio me disse essa frase, que simboliza a resiliência necessária para viver nesse mundo que se mostra, por tantas vezes, caótico e desanimador. Aliás, por falar em caos, o Professor e Filósofo Mário Sergio Cortella afirma que “Uma das coisas que mais me entristece hoje é ver uma casa infeliz, e uma casa infeliz é aquela que se entra e está tudo arrumado. É uma casa sem uso. Você vai à sala e as almofadas estão no lugar, como se a Revista Caras fosse entrar para fotografar, uma casa que não tem nada fora do lugar é uma casa morta.”

Uma vida que não tem desordem, dificuldades e desafios é uma vida de faz-de-conta – tal como a incômoda casa do filósofo – justamente por que ela não vem pronta e acabada, não é como um fast food que você pede sentado no banco do carro, e depois sai comendo enquanto dirige. Ao contrário, está mais para uma costela feita no bafo, que para ficar tenra e suculenta demanda tempo e habilidade culinária.

Por isso não existe “família de margarina”, todas têm suas qualidades e defeitos, da mesma forma que não existe relacionamento perfeito, o fazer dar certo depende de muito querer de ambas as partes. Também não vai existir nunca uma profissão (ou emprego) que lhe pague tudo que você pensa ser o justo e apropriado à sua qualificação, nem onde a cobiça, o orgulho ferido e a inveja não tentem lhe puxar o tapete a todo instante – há que se ter jogo de cintura e competência para manter-se empregado.

Sempre irão existir um senão, um porém, um talvez que lhe farão querer chutar o pau da barraca. Em outras vezes você poderá se sentir como náufrago em um bote à deriva, com um buraco no casco fazendo água. E o que não te deixará afundar é apenas um balde velho com o qual jogará a água para fora. Assim você não afundará, mas também não irá navegar, tornando-se refém da correnteza. Qual a decisão mais acertada? Tentar sobreviver jogando água fora, enquanto espera a ajuda chegar, ou lutar para chegar à uma praia segura?

Viver é arriscar-se, por isso não encontraremos respostas prontas, nem tampouco um terreno preparado para semear e dar os frutos que almejamos. Contrariando nossas expectativas pode ser que ele esteja cheio de pedregulhos e espinhos. Lembre-se que o segredo para não se afogar é saber usar a correnteza a seu favor, e não se debater lutando contra ela.

“A vida é boa. Saber viver é a grande sabedoria.”, já declamava em seus versos minha poetiza preferida, Cora Coralina. Sou um Homem de Letras, um escrevinhador que gosta de contar estórias, mas no final de tudo, a verdade é que ser resiliente para encarar e sobreviver aos desafios que a vida nos impõe não é uma obra de ficção, por isso escolhi essa temática para o Artigo da Semana. Cada um terá a “casa do Cortella” que merecer, bagunçada ou arrumada, feliz ou infeliz, a depender do trabalho e do esforço que dispensar no cuidado da terra, e no plantio das sementes – afinal, rosas não florescem entre pedras, nem germinam em solo arenoso ou ressequido.

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