Pra quê escrever? Exortação ao Dia Nacional do Escritor

“Hoje comecei a escrever! Escrever minhas primeiras linhas. Apesar de saber que o resultado final vai ser algo entre o sofrível e o mediano, resolvi tomar coragem e vencer a barreira da página em branco.” Esses versos, incipientes e cheios de insegurança, foram escritos há uma eternidade atrás, quando refletia sobre os motivos que me levavam a querer ser um escriba. Hoje, aproveitando as comemorações do Dia Nacional do Escritor, em 25 de julho, volto a me perguntar. Pra quê escrever?

Segundo dados da última pesquisa “Retratos da Leitura” do Instituto Pró-Livro, o brasileiro ainda lê pouco, uma média de 2,6 livros por trimestre, sendo que destes apenas um foi lido na íntegra, e pouco mais da metade seria de Literatura. Então, não é difícil imaginar que o motivo para encarar essa empreitada não é a audiência, nem tão pouco os aplausos do público.

Pois bem, como Professor de Literatura eu poderia construir aqui um Ensaio sobre a importância da Leitura na formação Humana e Social das Crianças nos primeiros anos de Letramento. Certamente não me faltariam argumentos, e com mais certeza ainda seria relevante esse debate, mas prefiro ouvir meu Mestre Rubem Alves que diz: “Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar.” E assim terminaria meu Ensaio (risos).

Como engajado político bradaria que “minha pena é minha espada”, e com ela lutarei para que as Políticas Públicas Educacionais no Brasil se tornem efetivas e eficazes. Mas não há como pensar em qualidade na Educação, sem se falar em Incentivo à Leitura. Infelizmente, ao que parece, a Escola esqueceu-se de que “Ler é Brincar” e tornou esse bom hábito uma prática normativa e enfadonha. Aliás, o pré-requisito para um postulante a Professor deveria ser, antes de tudo, que ele fosse um leitor contumaz. Quem não lê, nunca será capaz de convencer uma criança ou jovem sobre a importância da leitura.

Na condição de autor-escrevinhador afirmaria, sem hesitar, que a finalidade da minha escrita é tornar público aquilo que minh”alma manteve guardado por tanto tempo em gavetas. O que seria uma meia verdade. Isso porque o Autor, o Engajado, o Professor, bem como Lazim, Pandolfo e tantos outros são versões de um mesmo “Eu”, em uma heteronímia complexa, e fragmentada em universos paralelos como Prosperidade, Morro Grande, o aqui e o agora.

E é essa persona que, via de regra, narra e rege todas as minhas experiências sensoriais com a escrita. O Livro, fruto dessa relação erótica e afetiva com o texto, é um filho que tem vida própria, e que só vai nascer na hora que assim o desejar. Então, por que escrevo?

Voltando aos mesmos versos incipientes que abriram esta incitação, dela me despeço com a maior desfaçatez e ironia:: “Se você, destinatário e fim de meu processo comunicacional, vai gostar? Sinceramente não sei, nem me preocupo. Decreto a partir de hoje abolida a escravidão da insegurança e promulgo nesta data a instituição da liberdade poética em minha vida, da minha Liberdade.”

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