Dramático este título, não? Mas pode ficar tranquilo, neste texto não tratarei de nenhuma batalha de caráter bíblico, nem tampouco farei apologia (ou defesa) da posição de certo candidato que usa essa expressão como bordão de campanha. Ao contrário, se tudo der certo, espero ao final dessa narrativa ter conseguido desconstruir uma opinião, travestida de verdade.
Falando em ideias e opiniões, você sabe qual é a diferença entre Debate e Embate? Em ano eleitoral essa deveria ser uma diferenciação conhecida por todos, mas, ao que parece, não o é.
O escritor Moçambicano Mia Couto afirma que “Muito do debate de ideias é substituído pela agressão pessoal. Basta diabolizar quem pensa de modo diverso. Existe uma variedade de demônios à disposição: uma cor política, uma cor de alma, uma cor de pele, uma origem social ou religiosa diversa”.
Apesar de tanto o Debate quanto o Embate remeterem ao sentido etimológico de “bater”, no caso do primeiro o que se espera é uma discussão respeitosa onde, uma ou mais pessoas, apresentem pontos de vista distintos sobre um tema, com base em argumentos e fatos, com vistas ao convencimento das partes.
Ao contrário disso, o que se vê hoje é o confronto de opiniões, cada vez mais exacerbadas, sobre todo tipo de assunto, como bem destacou Mia Couto que, via de regra, têm se configurado em agressão física de fato – e lembro aqui do trágico episódio de intolerância política que chocou todo o país recentemente.
Mas falando sobre Política, já que estamos em ano de eleição, é importante lembrar que o contraditório e o discenso alimentam a Democracia, que é construída através da negociação e do diálogo, em prol de um bem comum. Contudo, o que se percebe (em especial aqui no Brasil) é uma onda de autoritarismo e violência, disfarçada de ideologia, que busca impor suas posições, em detrimento de uma civilizada contraposição de ideias.
Como consequência desse comportamento, o discurso de que existe uma luta do bem contra o mal faria todo o sentido se estivéssemos falando aqui de Heróis e Deuses (como no Mito Sebastianista), que surgem de forma redentora para restabelecer a honra e a glória da nação. Mas esse não é o caso, são figuras humanas, falíveis, corruptíveis que, mesmo tentando agir corretamente, poderão vir a cometer deslizes e equívocos.
E aqui não se trata de Esquerda ou de Direita, de fulano ou de beltrano. Quando uma pessoa se torna figura pública, principalmente na Política, ela estará sujeita a erros e acertos, até porque o gérmen da cobiça e da soberba não tem legenda partidária, e a história brasileira está recheada de biografias que caíram no mesmo valão. Por isso, não ouça o canto da sereia, confie sempre desconfiando, analise ideias e não se deixe levar por opiniões porque, no final das contas, seja quem for o ganhador desse pleito, a chance de ele ser picado pela “Vespa Cerúlea” – a infame Mosca Azul – e colocar tudo a perder, sempre irá existir.