A culpa é da Escola!

Cultura Maker, Vaucher, Charter School, Open Robotics, Blended Learning. Você sabe o que significam essas expressões? Provavelmente não, mas a tendência de importar modelos e técnicas educacionais é cada vez mais recorrente por aqui. Se elas funcionam? Certamente que sim, mas a questão é saber como usar, para quê usar e com quem usar e, nesse caso, ouso dizer que grande parte dos educadores e gestores (que gostam desses estrangeirismos modistas) não têm a capacidade de fazê-lo.

Mas faltou falar de um outro (também importado), que está em pauta após sua aprovação na Câmara dos Deputados – o Homeschooling – ou ensino domiciliar como é conhecido. Para além da tramitação do Projeto de Lei (que ainda precisa passar pelo Senado para só depois ir à sanção ou veto Presidencial), a questão é que esse modelo americano, que cresceu com John Holt e o casal Moore, sempre teve um viés ideológico muito forte, e mesmo com todas as proposições feitas pelos Deputados, essa ainda é uma questão preocupante.

Isso quer dizer que o Homeschooling é ruim? Claro que não, se assim o fosse a Finlândia – referência em Educação no mundo – onde ela é quase na sua totalidade pública, não permitiria que ele fosse adotado em seu território. O problema mais uma vez é: saber como usar, para quê usar e com quem usar.

Conheço um caso de Homeschoolers (famílias que adotam esse modelo) que foi levada a tomar a essa decisão porque a Rede onde sua filha estava matriculada não deu conta de lidar com suas altas habilidades. E isso não é um problema exclusivo do ensino público, visto que a maioria das escolas particulares também não sabem como trabalhar com alunos avançados (com Super Dotação ou Altas Habilidades) e que por isso acabam sendo negligenciados, ou tratados da mesma forma que aqueles com deficiências cognitivas ou físicas.

Essa questão gera muita polêmica, pois, se por um lado temos casos iguais ao citado, existe uma vertente que enxerga no ensino domiciliar uma forma de “preservar” as crianças e jovens da contaminação de ideologias estranhas ao seu modo de enxergar o mundo, e isso é muito sério. Segundo os críticos a esse modelo (com os quais concordo), privar a criança do convívio em sociedade, além do ideologismo inerente a essa atitude, pode comprometer sua formação pedagógica, humana, crítica e ética e até gerar jovens e adultos – alienados e preconceituosos – que não saberão lidar com a diversidade, inerente e necessária ao convívio social e democrático.

Segundo o educador português José Pacheco “aula não ensina, prova não avalia”. Sim, temos muitos problemas a resolver. Nosso sistema de ensino ainda é “bancário”, como dizia Paulo Freire, mas a resposta para isso não é o negacionismo, ao contrário, somente o investimento de longo prazo em Educação poderá mudar esse cenário, o que bem sabemos não vêm ocorrendo. Infelizmente, hoje a política pública mais valorizada por aqui é a do “Pão e Circo” (basta ver os escândalos dos cachês sertanejistas) e enquanto isso não mudar, a culpa de tudo continuará sendo, sempre, da Escola.

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