Confesso! O Artigo dessa semana era outro, e estava em processo adiantado de gestação, mas como sou movido, também, por incômodos e desconfortos, relendo Lya Luft achei essa pérola: “Não queremos perder, nem deveríamos perder: saúde, pessoas, posição, dignidade ou confiança. Mas perder e ganhar faz parte do nosso processo de humanização”. Perfeita lição de vida, se não fosse um fator primordial, e condicionante desse processo: perder nunca é bom (nem fácil)!
Segundo a Filosofia Estóica “Resiliência é a habilidade de suportar, superar e limitar o impacto negativo que as dificuldades têm em nossa mente” e este é o ponto – dessa vez não vim falar de Fé, de sonhos nem tampouco de objetivos, mas de limões galegos (e bem azedos) que a vida nos oferece injejum, sem a opção de declinar da golada.
Por isso o texto dessa semana não é motivacional, e muito menos de autoajuda, ao contrário, vamos falar aqui de frustrações e decepções que nos são apresentadas sem a menor cerimônia – chegam, vão entrando e bagunçando tudo aquilo que acreditávamos estava arrumado.
Oscar Wilde já dizia que “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.” Por isso, pensando no limoeiro dessa narrativa, ser resiliente tal como prega o Estoicismo é muito difícil, pois, quem aqui não tem uma história para contar sobre ‘aquela’ oportunidade de emprego perdida, ‘aquela’ promoção no serviço que era sua, mas acabou indo parar na mesa do “colega” ao lado? Do carro ‘recém-comprado’, que aí veio o vizinho e esbarrou?
Saindo das coisas comezinhas, e falando de relacionamentos então? Sempre vai existir um espírito de porco que se incomoda com a sua felicidade e paz de espírito, e vai teimar até conseguir arrancá-la de você. E sabe qual a explicação para isso tudo? O lado negro da força (como diria Lucky Skywalker) que habita dentro de cada bicho homem, e que se compraz com o fracasso do outro, bem como se alimenta de doses diárias de cobiça, inveja e malquerença.
Gostaria muito de escrever aqui sobre um mundo de paz e harmonia, com seres excelsos e angelicais, que trabalham em prol do bem comum. Contudo, a minha fantasia de Querubim já foi devolvida para a produção do Big Brother da Vida há algum tempo, e hoje reconheço que o maior obstáculo à minha realização pessoal (bem como à sua) é que tem mais gente “existindo” do que “vivendo”, e a consequência disso é que – do pedreiro ao engenheiro, do leigo ao religioso, da mulher ao homem vai sempre existir alguém querendo te dar um tombo.
Sim, temos que ser resilientes, afinal, o brasileiro nunca desiste, não é mesmo? Além disso, como bem lembrou Lya Luft, perder e ganhar fazem parte do nosso processo de crescimento (bem parecido com o estímulo positivo e negativo que usamos para adestrar nossos cães). Mas sendo muito sincero, transformar esses limões diários em limonada não é coisa para gente fraca não. Há que se ter muita temperança, iluminação e autoconhecimento para dar conta de tanta trairagem que tenho visto acontecer. Sinal dos tempos, será?