Certamente a questão posta nesse artigo não é inédita, nem tampouco tenho a pretensão de prescrever solução para a vida de quem quer que seja. Ele surge a partir de inquietações, e principalmente de devaneios que são o norte dos meus escritos, na maioria das vezes. Para ser bem realista, eles são fruto de 90% de inspiração e 10% de práxis textual. Mas, vamos ao que interessa.
Penso que, no que diga respeito às relações humanas, saber fazer a correta distinção entre um e outro – Ser e Estar – é sinônimo de maturidade, posto que a vida nos apresenta todos os dias infindáveis exemplos, do quão danosa pode ser a falta dessa consciência. Por isso, falemos primeiro do núcleo original – a família – onde tudo começa bem (ou não).
Deixando de lado sua visão idealizada (em parte construída pela formação religiosa e moral de cada um), uma família é uma reunião de opostos, e não de iguais, ao contrário do que possa parecer. E está aí a grande certeza – não existe família perfeita, mas individualidades que escolhem conviver em harmonia e respeito, ou não. Quanto ao elo que os liga – o amor familiar – quando em excesso vira posse, quando falta (o amor próprio) vira dependência.
Depois desse grupo importante conhecemos os amigos – de infância ou não, mas que de igual maneira são mal interpretados. Fazendo uma analogia, é como se todos embarcássemos na mesma estação de trem, mas com o mover dos trilhos, a cada nova parada um amigo desembarcasse e outro subisse, sem a certeza de um novo encontro na estação seguinte. Depositar em outrem as nossas expectativas, por esse motivo, é abrir as portas para a frustração.
Aí vem o casamento que é igual desde sempre, o que mudou hoje foi a motivação das pessoas para continuarem casadas. O que talvez alguns teimem em aceitar é que ele nunca foi (nem será) um conto de fadas, outrossim, é como a pedra bruta que sente o corte do buril para virar um diamante – exige paciência, vontade e, muitas vezes, até dor. O mais difícil na vida à dois é reconhecer que o erro (quase sempre) não está somente no outro.
Então, gostar-se é a resposta, e há dois milênios atrás alguém já dizia “ame o outro, como se ama a si mesmo” (mas do ensinamento só se guardou a primeira parte, ao que tudo indica). E talvez venha daí a celeuma do SER, que é perene, e do ESTAR que é transitório. Eu SOU quando me conheço, reconheço e me aceito – o amar-se é a consequência imediata dessas três condições. Quanto a outra parte, eu ESTOU junto de alguém, estou em uma situação confortável hoje, e pode ser que amanhã, não mais esteja.
O Autoconhecimento é a chave que faz girar toda essa engrenagem, mas para aqueles que não são iluminados, sugiro uma boa terapia, deixando aqui apenas uma ressalva – ela deve ser uma ferramenta de revolução, tirando para fora do armário todos os esqueletos. Algo diferente disso, compre um cachorrinho que vai te ouvir da mesma forma, concordar com você balançando o rabinho, e com um custo bem menor (apenas ração, vermífugo, antipulgas e vacinação anual).
Querido Sérgio!
Assunto que merecia a sua apreciação!
Minha frustação, foi quando lá “atrás”, eu depositei todas (mas todas), as minhas expectativas…Parabéns!
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Minha cara, espero que de alguma forma minhas elocubrações tenham lhe ajudado a se entender, se reconhecer e se aceitar. Feito isso, o resto é consequência.
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