15 de março – Dia nacional da Escola: você sabia?

Provavelmente não, como eu também só vim saber dessa data nacional por conta do sem número de matérias e posts que vi publicados sobre o assunto. Me sentindo um professor alienado, fui buscar o fundamento dessa comemoração, e então descobri que o 15 de março havia sido incluído no calendário de datas comemorativas pelo Congresso Nacional, como forma de resgatar a dignidade e prestígio da Escola, perdidas durante a Pandemia. Mais uma falácia que ouço sobre Pandemia e Educação, mas essa é uma outra história. Afinal, quem é essa “Senhora”? Um monte de tijolos e carteiras, recheada de livros e pessoas?

A origem de seu nome vem da Antiguidade, na Grécia, onde se chamava scholé, que significava “tempo do ócio ou de lazer”. Nesse ambiente dedicado ao prazer e ao deleite, os grandes Mestres recebiam seus discípulos para discutir política, filosofia, artes e aritmética com o objetivo de formar futuros governantes. Já nos primeiros anos da Era Cristã ela foi um espaço de ensino para clérigos e nobres. A Escola como conhecemos nasceu no Brasil com os Jesuítas e, somente no século XVIII, surgiu a primeira laica, sem o controle direto da Igreja, a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho.

Bom, não sei para vocês, mas para os da minha geração (e os de antes dela), o seu significado é totalmente afetivo. Sou de um tempo onde ir para a escola (ainda que fosse uma obrigação) era prazeroso (como não lembrar dos desfiles de 7 de setembro, e das quadrilhas nas Festas Julinas?). Não por menos, ainda tenho guardadas na retina da memória a Dona Conceição nos recebendo na porta do Grupo Escolar Francisco Bernardino, do escadão de Santa Terezinha que subia e descia todos os dias para chegar no Patrus de Souza, sem falar das histórias vividas no Colégio Técnico Universitário – o CTU. Nesse tempo Escola e Família ainda mantinham um diálogo amistoso, por isso a presença de uma na outra era sempre constante.

Hoje, o que deveria ser um espaço de transformação, virou de formação político-ideológica, e não que discutir Ideologias seja errado, ao contrário. O problema é quando aquilo que deveria ser um debate de ideias (saudável dentro de um ambiente democrático) torna-se um embate de opiniões, onde quem sempre sai perdendo é a Escola, no caso a Pública, carinhosamente apelidada por alguns de “depósito de alunos”. Para as famílias abastadas, diferentemente, existe um cardápio de opções para seus filhos – das confessionais às Montessorianas, de Waldorfianas às Americanas… – variando de acordo com o poder aquisitivo, onde esse tipo de embate ainda não chegou.

A questão posta então é: ela seria realmente um amontoado de tijolos e carteiras, recheada com pessoas e livros, ou uma “Ponte” que leva a novos caminhos? A “Casa Máter”, onde diversidade e ideologia andam juntas, assim como o Respeito e a Liberdade, gêmeos siameses, que não sobrevivem um sem o outro? Talvez, o grande desafio para essa convivência harmoniosa seja que a estrada que leva a esse lugar tão desejado, é uma via de mão dupla, portanto há que se respeitar, para alcançar o respeito. Para mim, definitivamente, aquelas escolas por onde passei vão continuar sendo as melhores lembranças que consigo acessar, quando olho para trás pelo retrovisor da memória.

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